#1315/2015: O GOLPE CONTRA OS TRABALHADORES! (uma análise)

Fim de jogo, ou de eleição, o vencedor do campeonato teve festa modesta. O trabalhador já estava na segunda-feira de pé pra pegar seu transporte velho, lotado e caro para chegar ao batente, bater o ponto e dar seu sangue e suor para o patrão: governo ou empresário. Quanto você, trabalhador, gastou para ir ao seu trabalho nesta segunda-feira: transporte, alimentação? O que mudou depois da nova velha presidente eleita?

A situação brasileira e mundial é de “mais uma crise do capitalismo”. Nesta, os capitalistas da agricultura e da indústria, subservientes ao capitalismo financeiro, aplicam a velha fórmula de extrair dos Estados o máximo de privilégios que vão contra o bem estar dos trabalhadores.

Subalterno aos interesses das corporações do agronegócio, da indústria e dos banqueiros, o Estado brasileiro acolhe cegamente as demandas do empresariado aumentando taxas de serviços e produtos básicos que são consumidos pelos trabalhadores e pelos precarizados, que são a maioria do povo brasileiro.

Governantes fazem vista grossa para a especulação imobiliária e para a carestia dos alimentos, permitindo que uma bolha inflacionária se instale e cresça tornando o cotidiano da vida quase insustentável. O empresariado brasileiro acumulou entre 1964 e 2015 um ciclo ininterrupto de “milagres econômicos” no qual houve momentos em que se lucrou mais e em outros menos, mas sempre se ganhou muito e bem, sobre todos os aspectos.

A luteliberdadepopulação brasileira segue majoritariamente investindo e apostando no Estado de direito e nas eleições como formas de organizar e gerir a sociedade.
O capitalismo, por escolha, por omissão, por medo ou pura comodidade é o sistema econômico que segue sendo aceito quase absolutamente no Brasil e em maior parte do mundo, mesmo em países ditos comunistas. Aceitando estas condições é necessário recordar que o trabalhador continuará a ser governado e também explorado.

Politicamente temos um momento no mundo no qual a direita conservadora e fascista caminha a passos lentos e constantes. Expressões fascistas na Grécia, França, Itália já alcançaram os parlamentos nacionais e fizeram ou fazem parte do governo executivo nacional ou local. Uma tendência autoritária e centralista atravessada e na mesma medida alimentada por agrupamentos religiosos, políticos e militares protofascistas já são ameaça no cenário mundial e brasileiro. Devemos registrar a expressão isolada e ainda desarticulada de fascistas na esfera pública brasileira e por isso afirmamos um estado de atenção.

De fato estamos em um momento sensível para a atual “democracia brasileira”. Depois de um período de brisas suaves e lufadas de crescimento econômico onde todos ganharam – alguns mais que os outros: empresários industriais, agronegócios e, sobretudo, banqueiros – da elite aos trabalhadores, veio a conta para pagar.

Ou seja, um período razoável de ganhos reais dentro do capitalismo no Brasil tem como premissas o Estado nacional como maior comprador e investidor, os governantes como beneficiários indiretos através de propinas e as empresas com ganhos absurdos baseados em orçamentos superfaturados que alimentam a corrupção e irrigam bancos nacionais e estrangeiros em contas secretas locais ou em paraísos fiscais. Nós, trabalhadores, pagamos por esse luxo e farra com nosso suor e nossas vidas.

Em favelas, centro de cidades e arrabaldes país adentro, o transfobismo, o homofobismo, o racismo, o patriarcalismo, o fascismo institucional genocida desfilam suas armas: judiciário, penitenciárias, metralhadoras e mídias corporativas demonstram “as forças” que defendem os ricos contra os pobres, criminalizando a pobreza, justificando a apoteose de corpos chacinados nos telejornais locais e nacionais que transbordam, sobretudo, o sangue de trabalhadores negros.

No dia 13 e 15 de maio estaremos vivendo a expressão pública de dois grupos que estão no poder. A esquerda socialdemocrata terrorista e chantagista, porém bacaninha; e a direita socialdemocrata terrorista e chantagista, porém conservadora. Os setores conservadores da sociedade, que não possuem partidos ou ideologias em si, adentram à direita ou à esquerda visando apenas o poder e o lucro alcançados através do ódio, do preconceito de raça, do preconceito de gênero, da xenofobia, da negação da diversidade sexual, do fundamentalismo religioso e da guerra de classes.

Forças reacionárias, ainda que não articuladas, querem pautar o impedimento da presidente atual quando o problema de fato é o regime político e o sistema econômico, qual seja o Estado nacional de direito e o capitalismo. Estas que são pedras intocáveis de uma sociedade pasmada diante da TV ou à deriva na internet. Seria a troca da presidente a solução para a corrupção? Seria esta mudança da esquerda socialdemocrata para a direita socialdemocrata que reduziria as taxas de energia, água, transporte? Um novo governo acabaria como capitalismo e instalaria uma economia e sociedade libertárias?

A esquerda partidária encastelada nos sindicatos e alguns movimentos sociais e populares se antecipa contra o discurso conservador direitista do impedimento da presidente e contra os gritos mais exaltados de “intervenção militar” num ato público em defesa da Petrobras. Este que não será nada mais que um ato em defesa do governo recém-eleito e coberto de acusações de corrupção. As centrais sindicais, sindicatos e partidos envolvidos vão para o ato descolados de práticas cotidianas junto das bases dos trabalhadores do país e defendem uma empresa de capital misto onde os trabalhadores não participam efetivamente da gestão que é considerada “pública apenas no papel”.

Trabalhadores e cidadãos comuns encontram-se num verdadeiro tiroteio entre os grupos de poder que almejam tomar o estado e governar em benefício próprio. Afirmamos que a terceira via, a militar, atualmente frágil e sem ressonância social e popular, não é uma opção. Afirmamos que o fim dos desmandos na Petrobras e outros setores da economia serão superados apenas com a tomada dos meios de produção pelos trabalhadores a autogestão federada.

A opção é tomarmos nossas ruas e bairros com assembleias populares horizontais em aliança com os trabalhadores no processo de retomada dos seus sindicatos. Trabalharmos organizados federativamente em autogestão social e econômica, afirmando nossas liberdades e administrando nossas ruas, bairros, cidades, fábricas, plantações livremente sem patrões ou governantes.

Necessitamos construir a autodefesa dos trabalhadores e dos precarizados para já. Não podemos ficar a mercê do braço armado do Estado que serve aos capitalistas e que criminaliza a pobreza ou mata os pobres. Como ocorrido na chacina da Maré (RJ) em 2013 ou na chacina do Cabula (BA) neste ano.

As pautas da investigação e punição da corrupção, da reforma política, crescimento econômico não tocam diretamente ou transformam positivamente a vida dos trabalhadores. Então chamamos a todos trabalhadores e a todos precarizados para trabalhar e lutar pela(o):

Liberdade de organização social e política total e irrestrita;

Coletivização do latifúndio rural;

Coletivização do latifúndio urbano;

Fim das polícias e desmilitarização da vida;

Fim da criminalização da pobreza;

Fim da perseguição política aos movimentos sociais, populares e sindical;

Fim do fascismo e do patriarcalismo;

Devolução das terras quilombolas e indígenas;

Redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais;

Socialização dos meios de produção;

Fim do capitalismo.

Pelo federalismo anarquista, pela autogestão.

Cravo Netto

Anúncios
Esse post foi publicado em Anarquismo, Conjuntura nacional, Notas e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s