Comunicado da IFA ao I Fórum Geral Anarquista

O delegado da IFA que viria ao Rio de Janeiro comunicou sua ausência devido a problemas de saúde que impediram absolutamente sua vinda. O secretariado internacional da IFA enviou a seguinte mensagem lida na abertura do Fórum:

A IFA, Internacional das Federações Anarquistas, foi criada no Congresso Internacional de Carrara (Itália) em 1968. Isso aconteceu após o congresso que houve em Londres (em 1958) que recriou um certo dinamismo e uma vontade de direcionar-se para uma organização internacional do anarquismo.

O congresso de Carrara (em seguida ao maio de 1968), foi o ponto de chegada do trabalho que havia começado em Londres e continuado, apesar de numerosas contradições. Em Carrara, em uma atmosfera inflamada, pôde-se assistir ao confronto de diferentes gerações de militantes, desde os combatentes da revolução espanhola, os combatentes antifascistas, até os jovens rebeldes das barricadas do leste europeu. A perspectiva revolucionária, desenvolvida pelos assalariados e pelos estudantes pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, encontrou no congresso um momento muito forte de enfrentamento e de verificação. Enquanto de um lado confirmou-se a crítica do marxismo, rejeitando a ilusão do “marxismo libertário”, foi relançada, de outro lado, a ideia da importância do movimento dos trabalhadores como atores centrais para uma possível revolução antiautoritária. Paralelamente, foram definidas as bases para uma organização internacional com uma existência permanente.

Em 1971 ocorreu, em Paris, o segundo Congresso Anarquista Internacional, em continuidade ao movimento de protesto que ainda vigorava, mas cada vez mais enfraquecido. Em Paris, os companheiros e companheiras encontravam cada vez mais dificuldades com a ação militante, o que direcionou determinados grupos para busca somente da eficácia e para a adoção de mecanismos de decisão majoritária para o funcionamento da organização. O embate que aconteceu nesse congresso permitiu um esclarecimento que impactou as situações nacionais e continua a ter efeito ainda hoje. Ao reafirmar a vontade organizativa do congresso de Carrara (1968), o congresso de Paris confirmou sua vontade de seguir em frente na mesma direção.

O terceiro congresso da IFA foi realizado em Carrara (em 1978). Ao desenvolver uma crítica construtiva da luta armada, o congresso desenvolveu a tese segundo a qual “a violência revolucionária não pode ser compreendida nem aceita sem a existência paralela de um movimento forte e organizado dos trabalhadores, de acordo com as ideias libertárias”.

Em 1986, o 4º congresso aconteceu em Paris. Quanto à situação sindical, duas posições diferentes emergiram (em primeiro lugar: apoio exclusivo à Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT); e em segundo lugar: apoio a uma abordagem menos ideológica, mas mais pragmática com a participação nos grandes sindicatos reformistas).

Em 1990, aconteceu em Valência (Espanha) o quinto congresso da IFA.

O sexto congresso da IFA foi realizado em Lyon, em 1997.

O 7º Congresso da IFA aconteceu em Besançon (França), em 2004. Ele reafirmou “a importância do desenvolvimento das práticas autogestionadas e horizontais afastadas das concepções vanguardistas estranhas ao anarquismo social e organizado. A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. A coerência entre os meios e os fins não é somente uma questão fundamental de ética, mas é o signo distintivo de uma organização política e social libertária. Essa constatação leva a Internacional das Federações Anarquistas a adotar uma atitude aberta e construtiva para com as correntes dos movimentos anarquistas no mundo.”

Em 2008, o 8º congresso ocorre em Carrara (Itália), por ocasião dos 40 anos da IFA.

Em 2012, o congresso da IFA foi realizado durante o Encontro Internacional do Anarquismo em Saint Imier. Esse encontro foi um verdadeiro sucesso tanto no nível da participação das organizações anarquistas de todos os continentes, das pessoas presentes, quanto das repercussões militantes. O trabalho dentro da IFA não segue sem dificuldades, notavelmente no nível da questão sindical (AIT). Algumas federações encontram-se em dificuldade. Até o momento são membros da IFA: a Anarchist Federation (Grã-Bretanha), a Anarchistická Federace (República Tcheca), a FA Bielorussa (em inatividade por consequência da repressão da qual os anarquistas são vítimas, mas que continua suas atividades enquanto Cruz Negra Anarquista), a FA Búlgara (em dificuldade), a FA francófona, a FdA germanófona, a FAI (Itália), a FA Ibérica, a Federação para o Anarquismo Organizado (FAO Eslovênia e Croácia), a Federação Libertária Argentina.

Nós somos cada vez mais solicitados enquanto FA e IFA. Novos pedidos de adesão chegaram a nós da Federação Anarquista Local da Valdivia (Chile) e de outros grupos também do Chile – em processo de federação – , da Federação Anarquista Mexicana e da Liga (Rio de Janeiro). Esses novos pedidos de adesão deverão nos obrigar a pensar em novos modelos de funcionamento, de trocas e de coordenação. Devemos modificar nosso Pacto Associativo nesse sentido, pois ainda é muito eurocêntrico.

Desejamos priorizar nossas ações de solidariedade afim de desenvolver o movimento anarquista internacional:

– na América Latina (México, Chile, Cuba, Brasil, Argentina, Peru)

– no Magreb e no Oriente Médio (Tunísia, Egito, …).

– nos Bálcãs (Eslovênia, Croácia)

– na Europa (Portugal, Grécia)

Nosso objetivo é ajudar a federalização dos grupos anarquistas locais na Grécia, na Tunísia, em Portugal, no Chile, no Brasil, etc.

Nós apoiamos e saudamos os processos federativos na Austrália e nos Estados Unidos, a Federação Black Rose, por exemplo, mesmo que ela não tenha decidido pela adesão à IFA.

Nós apoiamos e participamos do congresso da Federação Anarquista da América Central e do Caribe (FACC).

Nosso internacionalismo deve estar à altura dos objetivos revolucionários que sustentamos. Ele deve caminhar com suas próprias pernas: definição e difusão do nosso projeto revolucionário; construção de alternativas sociais, econômicas, de grupos de resistência popular, de estruturas anarquistas alternativas. As formas que as ações podem tomar são tão ilimitadas quanto a nossa imaginação: do apoio recíproco contra a repressão à coordenação de iniciativas, de ajuda mútua para projetos autogestionados nas comunas do campo, do compartilhamento de saberes e de subsídios à organização de mobilizações internacionais etc. Isso não está limitado às federações que fazem oficialmente parte da IFA, mas essa solidariedade é também estendida a muitos outros grupos com os quais nos estamos em contato, a todos aqueles que agem por um futuro libertário para todo o planeta.

Ainda que não se possa substituir o trabalho de milhares de anarquistas realizado todos os dias em todos os cantos do mundo, nas ruas, nos bairros, nos locais de trabalho, propagandeando as ideias libertárias e construindo a anarquia, nós estamos certos de que a coordenação e a solidariedade internacional pode ajudar nessa tarefa. Ao menos, é salutar lembrar que nós somos numerosos e que estamos em toda parte

Temos, então, muito a aprender e a construir juntos.

Secretariado IFA, 25 de maio de 2015

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