Carta de Solidariedade

Carta de Solidariedade

 Domingo 19 de junho de 2016, a polícia federal mexicana disparou balas letais contra os grevistas e manifestantes que bloqueavam a estrada perto da aldeia de Nochixtlán, no Estado de Oaxaca. Esta repressão estatal extremamente violenta deixou trabalhadores e indígenas mortos, e mais de uma dezena de feridos. Até a presente data a violência e perseguição continua e agora conta com tropas do exército que estão mobilizadas cercando e asfixiando Oaxaca e Chiapas.

Esta greve e manifestação de trabalhadores/as contou e conta com amplo apoio social em todo território mexicano. Ela foi chamada pela Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) e apoiada pela Federação Anarquista de México, e ainda com expressiva participação de estudantes e pais, muitos deles pertencentes a povos indígenas. Durante vários meses, especialmente nos estados de Oaxaca, Chiapas, Guerrero e Michoacan, o movimento ganhou grande magnitude contra a “Reforma da Educação”, que o governo pretende impor. As pessoas sofreram duros ataques dos governo/militares ao longo desse tempo: familiares, estudantes e professores são ameaçados, demitidos, presos. Os bloqueios antimilitares então foram decididos no início de Junho, após a detenção de vários trabalhadores da secção CNTE de Oaxaca.
Começava também uma guerra midiática real contra os chamados rebeldes, marcados como “terroristas”, “preguiçosos”, “contra o progresso”.

Dizem que “a lei é o progresso para uma (privatizações e terceirizações)” Educação de qualidade”, ou seja, transformar a educação em mercadoria e entregá-la ao setor privado, para beneficiar os setores da população mais favorecida. Esta reforma educacional não afeta só os professores, mas também toda a sociedade”, suas famílias, especialmente nas comunidades indígenas e de periferias. Já em Junho de 2006, os professores tinham tomado o centro de Oaxaca, depois foram brutalmente despejados. A população, os pais, estudantes, jovens das periferias, os povos indígenas se juntaram a eles e a resistência e autônoma da cidade organizada: apenas em novembro foi derrotada a “Comuna de Oaxaca” por policiais militares e repressão de violência extrema.

Companheiros da Federación Anarquista de Mexico, da Alianza Magonista Zapatista, da Cruz Negra anarquista, trabalhadores e indígenas lutam lado-a-lado esta batalha contra o aniquilamento da educação, contra as terceirizações e privatização do setor educacional. A injustiça não pode seguir, já basta de assassinatos, sessem as prisões, parem com os desaparecimentos e encerrem o cerco militar. Toda essa operação capitalista/militar e autoritária terrorista de Estado deve acabar imediatamente para não asfixiar a vida.

Em resposta aos ataques do estado terrorista mexicano contra os educadores, estudantes, comunidades indígenas em México, contra as prisões, assassinatos e perseguição, a Iniciativa Federalista Anarquista no Brasil declara sua solidariedade aos trabalhadores da educação e aos povos de Oaxaca, Michoacan, Guerrero e Chiapas.

Denunciamos o estado de sítio autoritário do Estado mexicano, as prisões injustas e o massacre de mulheres, homens e jovens que lutam por justiça social e liberdade.  Afirmamos o internacionalismo federalista coletivista pela solidariedade e o apoio mútuo.

Exigimos a libertação dos trabalhadores, estudantes e apoiadores da causa educacional e o fim imediato das mortes e repressão em toda região mexicana. Afirmamos o direito inalienável da greve de manifestação e da autodefesa.

A Iniciativa Federalista Anarquista no Brasil conclamam todas as organizações, grupos sociais, associações políticas, artísticas e pessoas de luta para prestar solidariedade e apoio ao povo trabalhador e as comunidades indígenas, à Federación Anarquistas de Mexico, a Alianza Magonista Zapatista e a Cruz Negra anarquista.

Iniciativa Federalista Anarquista – Brasil: Coletivo Anarc@Punk Aurora Negra, Fenixo Nigra, Liga Anarquista no Rio de Janeiro.
Brasil, 15/07/2016.

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