Primeiro de Maio é dia de Luto e Luta!

Periódico da Liga Anarquista do Rio de Janeiro

Especial de Primeiro de Maio de 2017

Luta contra a exploração e Luto pela morte de trabalhadores e trabalhadoras que tombaram por uma nova sociedade!

Esse Primeiro de Maio de 2017, além de lembrar dos anarquistas mortos na manifestação de 1886 nos Estado Unidos pelas 8 horas de trabalho, queremos  reafirmar que esse dia não é um dia de festa e sim de Luto e Luta! Também deixar claro posições críticas que acreditamos ser necessárias para avançarmos na luta e na organização social visando uma nova sociedade.

No dia 28 de abril tivemos mais uma vez a oportunidade de refletir e agir sobre nossa realidade brasileira de exploração dos poderosos e da ganância dos reformistas do Estado. Por um lado movimentos sindicais e populares críticos, tanto ao governo Temer como a estrutura sindical viciada, que querem um novo modelo sindical de base, uma nova organização horizontal com democracia direta, autogestão e ação direta. Do outro, os que defendem o imposto sindical, as reformas do Estado para distribuir migalhas para a população e a representação política partidária como solução e saída da crise política, econômica e social do Brasil. Esse modelo velho, viciado e carcomido pelo tempo, que é responsável pela desorganização dos trabalhadores nos últimos decênios em troca do poder político e seus luxos. Modelo sindical que nunca favorece as decisões diretas dos trabalhadores que compõem os sindicatos, apenas perpetuam um bando de mandatários em suas diretorias objetivando ganhos pessoais.

Neste espetáculo de horrores a polícia – com todo o aparato repressor montado e equipado pelos reformistas que estavam nas administrações (municípios, estado e governo federal) ou ainda estão – atacou qualquer um que estivesse próximo às ruas em que ocorriam as manifestações.  Novamente, alguns tentaram conversar e apelar pelo bom senso da polícia para que ela não atacasse os manifestantes e apenas os “vândalos” e os anarquistas – sempre suspeitos de tudo. A traição aconteceu na manifestação e veio pelos que perderam o mel do poder somado pelos que desejam essa “boquinha” para se lambuzar.  No final, sobrou bombas e balas de borracha para todos, ainda enriquecidas pelas cenas de policiais empunhando armas letais, agredindo pessoas idosas, causando lesões em manifestantes como o traumatismo craneano no estudante de Goiás.

A luta deve ser intensa nos próximos meses e anos, pois o que sobrou do sonho do PT de perpetuação no poder junto com seu aliado PMDB, tornou-se o pior dos pesadelos da classe trabalhadora. Com a desculpa de falta de recursos e da crise econômica mundial Temer, PMDB, PSDB, DEM e outros partidos querem ACABAR com a Previdência Social, os direitos trabalhistas. Com isso criar um dos piores cenários mundiais que irá beneficiar os empresários e o sistema financeiro aumentando seus lucros e acabando com leis de proteção e dos direitos dos trabalhadores.

Esses empresários e o especuladores financeiros, em seu formato de corporações, querem tomar o petróleo, a água, o gás, os minérios, a produção de energia elétrica, a telefonia, para impor preços absurdos, não serem responsabilizadas por nada (como o desastre de Mariana em que pessoas perderam a vida e suas casas – a Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR não sofreram nenhuma punição real até hoje!) e a população vai pagar o pato e não os empresários, os políticos, os partidos, os juízes, os empreiteiros, etc.

Ah, não se enganem, parte dessas reformas impopulares começaram no governo Lula/Dilma como a reforma da previdência dos servidores públicos que forçam a adesão a um plano de previdências privado; a venda de setores estratégicos da economia como a Petrobras; o Ajuste fiscal; o início da discussão da Lei de terceirização; entre outros pacotes de maldades contra os trabalhadores. Além da farra de gastos na Copa do Mundo e nas Olimpíadas que não deixaram nenhum “legado” para a sociedade. Então, é simples, muito do que estamos vivendo já estava sendo gestado desde os governos de Fernando Henrique Cardoso (Isso, desde os anos 1994), a diferença foi como o remédio era misturado com muito ou pouco açúcar, o que temos certeza neste momento é de a quem caberá a execução do pacote de maldade ao Temer do PMDB ex-aliado do PT e se ele sair, ao DEM, com Rodrigo Maia.

A solução para esse problema é nossa organização! Organização horizontal, sem líderes que almejem uma vaga nas próximas eleições de vereador, deputado, senador, prefeito, governador, presidência da república. Isso Mesmo, pensou certo, NÃO precisamos de políticos e seus partidos! Precisamos da autogestão para construir uma nova sociedade sem exploradores, sem patrões, sem políticos, sem partidos. E o que é a autogestão? É a proposta de organização social em que podemos (já hoje e não amanhã) comandar nossas vidas, nossa rua, o bairro, a favela e a cidade, onde trabalhamos, junto com nossos iguais trabalhadores e desempregados. Organizados sabemos o que é necessário produzir, tanto para as necessidades que garantam nosso bem estar, conforto e segurança como as nossas necessidade de alimentação.  Organizados decidimos tudo em processos horizontais e não verticais. Você já pensou o quanto de tudo que é produzido é desperdiçado? Desde alimentos básicos até roupas são desperdiçados para manter a ganância e a fome, com isso trabalhadores, desempregados e precarizados vivemos como escravos de um salário miserável.

Sozinhos somos impotentes, mas juntos e organizados resistimos e concretizaremos uma nova sociedade sem partidos, sem patrões, onde todos crescem juntos e ninguém passa fome!

 Viva o Primeiro de Maio de 2017, Dia de Luto e Luta!!!

Políticos e elite sindical não nos representam!!!

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3 respostas para Primeiro de Maio é dia de Luto e Luta!

  1. alesalvadorpsi disse:

    Bom dia. Meu nome é Alexandre.
    Me interesso pelas ideias anarquistas e acredito na proposta de autogestão, mas a ideia do enfraquecimento do Estado parece algo difícil de acontecer. Infelizmente quem tem "força" no Brasil é quem controla o capital. Sendo assim, somente os grandes empresários poderiam tentar este movimento de desarticulação do Estado, mas desse modo cairíamos no domínio do liberalismo e estaríamos fritos do mesmo modo.
    Como podemos articular essa transição para a autogestão de modo efetivo?
    A Liga Anarquista promove reunião para debater assuntos desse tipo?
    Obrigado pela atenção.

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