A esquerda partidária eleitoreira, sedenta de poder, a cada 2 anos chantageia moralmente os anti-elecionistas, autonomistas anti-elecionistas, libertários e anarquistas tentando levar todos a votar nos seus candidatos, quando não em apenas um, como é o caso de 2018. Ou seja, apelam ao moralismo da responsabilidade das pessoas e dos grupos não eleicionistas para garantir a democracia. A qual, segundo eles, nós todos gozamos e mantemos nossas liberdades.

Outra forma usada pela esquerda partidária a cada 2 anos para obrigar as pessoas a votar é o medo. Sempre há algo contra o que se deve eleger um candidato de esquerda: contra a privatização, contra… contra… Contudo, a esquerda também privatizou empresas públicas e ampliou formas de terceirização e precarização (privatização branca) das relações internas e externas atinentes a relação de trabalho e reduziu a legislação protetora dos trabalhadores. Agora, todos sem exceção assumem que modificarão a previdência social obrigando os trabalhadores a pagarem mais e trabalharem mais para os capitalistas e para o Estado.

Qual gozo temos quando votamos? O que mudou depois das eleições?

Qual liberdade temos ao votar? A liberdade aumentou após as eleições?

Todos são livres para não votarem, votarem em branco ou votarem nulo. Os anarquistas são livres para não votarem, votarem em branco ou votarem nulo.

Você seja anarquista ou não. Não se cague de medo, não fuja para as urnas. No latifúndio das eleições está o Senhor que te escraviza e o Capitão do Mato para te punir. Procure seu vizinho, seu colega de trabalho, seu amigo, seu amor: faça uma reunião e crie formas de vida e resistência, crie formas de produzir, cuidem um dos outros.

Existe vida e política além do voto, além do Estado, além do capitalismo. Coragem… Persistência e determinação.

Entendemos sim que nem todos são iguais. Por isso, nós anarquistas seguimos nossos caminhos com nossas pernas hoje e sempre. Basta de chantagem, basta de medo.

Não tememos os populistas, os integralistas, os nacionalistas, os capitalistas, os autoritários, os fascistas de direita e/ou de esquerda. Pela autodefesa e a liberdade levantemos e sigamos de pé.

Deixamos para a leitura e reflexão matéria publicada em um jornal anarquista Brasileiro realizado na ditadura militar no Brasil: O Inimigo do Rei. Qual traz entrevista com o secretário geral Juan Gomez Casas da CNT-Espanha em 1979, quando já encerrada a ditadura nesse país. O ressurgimento do anarcosindicalismo, a questão do Estado, do Governo e o papel da CNT na revolução social em Espanha são os temas.  Segue documento abaixo:

Colaboração: Heitor dos Rios.

Jornal O Inimigo do Rei. N. 4. Fevereiro e Março de 1979. Bahia-Brasil.

 

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