Luana Silva

Em um momento  no qual experimentamos o auge da sociedade de controle, as duas manifestações em 15 e 30 de maio e a greve geral de 14 de junho de 2019 são a afirmação da potência da classe trabalhadora que se encontram no conjunto formal oficial das relações de trabalho tradicionais (normatizadas pela Constituição Federal, Consolidação das Leis Trabalhistas, pelo Regime Jurídico Único e respectivas legislações estaduais e locais).

A potência é quase completamente orientada e controlada nos limites da democracia capitalista vigente no Brasil dirigida por um acordo de camarilha que tenta manter seus interesses e posições intactos no jogo do poder.

No conjunto de trabalhadoras e trabalhadores em idade de trabalho e ativos, aproximadamente, o grupo de trabalhadoras/es formais na iniciativa privada é de 33 milhões, o funcionalismo publico corresponde a 3 milhões, os trabalhadores informais chegam a 45 milhões. Consideremos ainda que “falsos “MEI (micro empreendedor individual), Autônomos, Cooperados”, agricultores, domésticas, precários não compõem as estatísticas. Então, existem no momento 81 milhões de trabalhadoras/es dentro de uma população de 215 milhões.

O acesso ao regime de aposentadoria administrado pelo Estado Brasileiro não alcança a totalidade ou mesmo a maioria da População Economicamente Ativa. A reforma da previdência não visa garantir os direitos aos que estão neste regime atual e tão pouco ampliar a cobertura da previdência para os milhões de excluídos da economia informal ou outros setores como indicados acima como os “falsos autônomos…”. Está em jogo a exclusão do pagamento obrigatório da cota previdenciária paga pelo Empresariado, Latifundiário e Estado no Brasil deixando a obrigação do trabalhador pagar sozinho a um banco para administrar seu dinheiro para aposentar-se. Em outras palavras, Empresariado, Latifundiário e Estado não possuem mais responsabilidades com o trabalhador e sua aposentadoria ficando este trabalhador entregue aos bancos. Não estamos diante de uma economia para Empresários, Latifundiários e Estado e sim do abandono total dos trabalhadores aos bancos que dará gerará lucros para empresários e benefícios para políticos.

Ocultação:

Todos o partidos e sindicados estão de acordo sobre a reforma da previdência no todo ou em parte. As mobilizações atuais e a última greve geral atendem a interesses para além do cancelamento da “guerra da previdência”: manutenção ou conquista do poder do Estado pelas forças de agrupamentos partidários; manutenção da base de trabalhadores nos sindicatos oficiais mantendo os poderes e privilégios das elites sindicais da CUT, Força Sindical, CTB, Intersindical, CSP-Conlutas, CGT…

Silêncio:

Conivência proativa dos meios de comunicação com o projeto de “guerra da previdência” silenciando as milhões de vozes de trabalhadoras/es nas manifestações de 15, 30 de maio e na greve geral de 14 de junho. Calaram e calam a voz do povo trabalhador brasileiro em pelo menos 400 cidades nos 26 Estados e Distrito Federal. Mulheres, homens, indígenas, quilombolas, camponeses nas suas vilas, estradas, povoados. cidades pequenas e grandes, nas metrópoles, nos bairros e ruas pararam a produção da mandioca e do automóvel, não cozinharam e nem lavaram os pratos do opressor e do explorador. E mesmo assim continuam sendo silenciados pelas redes de TV, Rádio, Jornais, Revistas comerciais que afirmam serem imparciais mas nunca convidam ou noticiam a vida e a luta das gentes que resistem e lutam.

Quem são os 50 milhões de trabalhadoras e trabalhadores formais e informais, autônomos, precários, MEI’s, quilombolas, cooperados, indígenas, camponeses, desempregados, aposentados nas ruas, nas casas, estradas, praças pelo Brasil profundo que disseram já basta de silêncio, que se manifestaram contra os cortes na educação e contra a reforma da previdência?

Manipulação:

Um dia antes da greve geral o parlamento brasileiro anuncia a aprovação do relatório final de proposta da previdência onde um dos piores elemento é o aumento do tempo de contribuição e idade para aposentadoria. Os governadores realizaram mudanças na previdência como no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia aumentando as alíquotas de pagamento previdenciário para os servidores públicos reduzindo ainda mais seus salários minguados. Em negociações entre governadores de todos os partidos de todos Estados tramam diante de nós trabalhadoras/es a aprovação da reforma da previdência e fingem estar de nosso lado. Partidos de esquerda, sobretudo, não atuam e lutam franca e firmemente pela abolição desta “reforma” e atuam dissimuladamente por aprovação da mesma ao seu modo.

Estamos sendo manipulados contra nossos interesses para uma vitória onde o vencedor será o Empresariado, o Latifundiário e os Políticos (Estado)? A resistência e a luta seguem.

Oportunismo:

Processo viciado contra Rafael Braga, assassinatos em massa nas favelas do Rio de Janeiro promovidos sobretudo por forças militares-policiais. A miséria dá lucro. Processo viciado contra o ex-presidente Lula sim. Contudo, a política e o crime compensam.

Sindicatos, Partidos e Governadores utilizam a reforma da previdência para seus interesses. Entre estes interesses está a libertação do ex-presidente Lula. Tentam desviar as forças do povo para uma agenda política em detrimento de nossas necessidades. A elite sindical mancomunada com a elite partidária e seus respectivos governadores do campo da esquerda seguem colocando a liberdade de Lula acima do bem estar de todo um povo e uma classe social: denunciamos.

Luta:

Conquistamos há pouco mais de 131 anos a abolição da escravatura que não foi definitiva para todos até hoje. Conquistamos as 8 horas de trabalho há 102 anos. Havia a imprensa contra nós, havia a lei contra nós. Haviam os militares contra nós. Não haviam partidos manipulando ou dirigindo as nossas lutas.

Outra organização sindical já. Outro movimento social já. Mais manifestos, mais aulas públicas. Está na hora de campanhas de boicote. Independentes dos sindicatos, dos partidos e políticos que nos enganam façamos uma festa, mil festas e sabotemos com dança e riso a produção,paremos as rodovias, portos e aeroportos. Façamos da greve um ato solidário em apoio mútuo até o fim dos cortes na educação e o cancelamento da reforma da previdência.

Invente uma forma de lutar hoje.

Vamos…