Heitor dos Rios

(ativista direitos humanos e militante sindical de base)

Eles estão rindo de nossa cara e dançando em cima de nossos corpo. Comem e bebem nos explorando, nos chantageando, nos manipulando, nos enganando. Malditos sindicalistas profissionais. Cães pastores dos políticos e empresários, inimigos da sua própria classe.

Um grito de revolta:

Movido pela revolta e contra o silêncio venho ao Rio e me coloco como um peixe a nadar contracorrente. Diretores e presidentes de centrais sindicais e maioria absoluta dos sindicatos públicos, privados e mesmo uma parte considerável dos movimentos sociais são traidores da classe trabalhadora.

Estes homens, grande maioria, e mulheres, grande minoria nos sindicatos, quase todos e todas profissionais de uma elite sindical está mentindo, roubando e desviando a potência de toda gente trabalhadora que é capaz de cancelar a reforma da previdência dando fim a guerra do governo Bolsonaro contra nós trabalhadores.

A elite sindicalista profissional distorceu os objetivos da greve geral, traiu a luta dos trabalhadores e trabalhadoras e nos vendeu ao Congresso Nacional.

Sucesso afirmado por centrais sindicais da greve geral-14J:

Sucesso é que milões de nós trabalhadores e trabalhadoras em nossas assembleias, nos nossos diversos locais de trabalho e também precários, autônomos, aposentados, ativistas e militantes de movimentos sociais ou não decidimos com ou sem sindicatos, com ou sem centrais sindicais: parar a produção e os serviços.

Fracasso é que o parlamento, o executivo, o judiciário, empresários e latifundiários desconsideraram o grito dos trabalhadores não cancelando a reforma previdenciária porque as centrais sindicais anularam a greve geral e levarão um abaixo assinado contra a reforma da previdência, mas, não contra toda ela, e sim contra parte dela. A vitória é lutar num país onde os partidos de esquerda, sindicatos e centrais sindicais estão contra os trabalhadores e servem ao capitalismo.

Unidade de Manipulação:

Sindicatos e centrais sindicais não foram autorizados a procurar os poderes da república pelos trabalhadores e trabalhadoras, não foram autorizados a negociar ou fazer acordo qualquer que seja com o Congresso, o Executivo ou Judiciário. A elite sindicalista profissional enraizada nas centrais sindicais de centro, direita e esquerda nos venderam como uma mercadoria para demonstrar seu poder de barganha na tentativa de manter seu poder independente dos prejuízos a nós trabalhadores.

O movimento sindical brasileiro está dominado por partidos políticos e interesses particulares de uma elite sindical profissional que não trabalha. É impossível mudar as estruturas sindicais e de centrais sindicais por dentro tornando-as novamente uma ferramenta dos trabalhadores. Por isso a desfiliação em massa de sindicatos e centrais sindicais é urgente. Por isso a construção de um sindicalismo autônomo e pela base a partir da livre associação sem diretores liberados.

GREVE: O que é?

Quando partimos para uma greve é porque nossas reivindicações como trabalhadores não foram ouvidas, negociadas, e nenhum acordo satisfatório a classe foi alcançado. A greve em particular, ou greve geral no todo, é a afirmação veemente e intransigente de trabalhadores respectivamente de um setor ou de todos os setores da classe trabalhadora, na defesa de um direito, contra a perda de um direito(s) ou conquista de direito(s).

Declarada a greve ou greve geral os termos são apresentados pelos grevistas. Apenas a aceitação, no todo ou em parte, dos termos expostos pelos grevistas podem levar ao fim da greve. Não é assim que se faz no Brasil desde 1932, quando o Presidente Getúlio Vargas instituiu sua legislação fascista laboral, perseguindo o anarcosindicalismo e o sindicalismo revolucionário com a conivência dos partidos comunistas, trabalhistas e socialistas instituindo este que é o atual modelo sindical brasileiro: centralista, unitário, autoritário, corrupto obediente ao Estado e Empresariado.

Comentários sobre o óbvio:

Na “Nota das Centrais Sindicais sobre a greve nacional de 14 de junho de 2019” estamos diante de um documento que é a expressão máxima da manipulação, da divisão elite sindical profissional contra trabalhadores e em suma da  traição destas centrais:

1 – Afirmam as centrais sindicais: “O sucesso da mobilização é resultado da unidade de ação do movimento sindical. Eu afirmo: O sucesso da greve é dos trabalhadores e não da elite burocrática sindical;

2 – Centrais sindicais dizem: “articulação com os movimentos sociais, populares, estudantil e religiosos. Eu afirmo: articulação de ativistas e militantes levaram os movimentos sociais, estudantis para as ruas e não as sua lideranças. Quanto a igreja: qual igreja e qual religião hipócritas?

3 – As centrais sindicais simulam: “definição e construção, em reunião marcada para 24 de junho, das ações para ampliar a mobilização e a pressão contra a retirada dos direitos da Previdência e da Seguridade Social. Eu afirmo: 24 de junho avaliarão se conseguiram seu acordo ($$$) com o Congresso Nacional discutido sem aprovação de nós trabalhadores. No acordo os sindicalistas não se mobilizarão por itens fundamentais como aumento do tempo de contribuição, aumento idade de aposentadoria, aumento de alíquota previdenciária… Ou seja, esta é a data que matarão nossa resistência e luta contra a reforma da previdência e nos servirão na mesa luxuoso banquete de políticos, empresários e elite de sindicalistas profissionais celebrando mais décadas de exploração e luxo às nossas custas.

4 – Cinicamente as centrais sindicais agradecem: “o compromisso de dirigentes, ativistas e militantes, o envolvimento dos movimentos sociais e a cobertura de toda a mídia. Eu afirmo: não se faz greve com dirigentes, os movimentos sociais foram ignorados e agora são tratados como ornamentos. Como ativista dos direitos humanos e militante de base sindical eu não aceito agradecimento. Dirigentes e líderes: vocês não me representam e tão pouco reconheço sindicatos e centrais sindicais brasileiros como minhas ferramentas. O fato de agradecer à mídia capitalista por sua cobertura ridícula e contrária demonstra o caráter manipulador e traiçoeiro das elites sindicais profissionais mancomunadas com seus partidos e com os inimigos da classe trabalhadora.

Temos saída! Queremos?

Seguimos lutando e preparando uma greve das bases trabalhadoras e não das elites sindicais. Organizarmos e lutarmos sem partidos, desfiliação dos sindicatos vendidos e suas centrais sindicais, criar sindicatos, confederações autônomas e independentes de partidos, Estado e empresariado. Pluralidade sindical, liberdade total e irrestrita de organização. Fim de liberados que geram elite sindical profissional e anulam a participação dos trabalhadores.