Em defesa da Greve Geral Mundial Feminista: #8m

O momento exige e a necessidade é urgente para o ajuntamento, solidariedade e luta de todas a mulheres através de uma greve feminista da classe trabalhadora em território brasileiro e planetário.

Um novo ciclo do capitalismo e do patriarcalismo se instalou nos governos de Estados nacionais. No Brasil o governo atual do presidente do PMDB que golpeou sua companheira de chapa do PT. Os quais realizaram, ambos a seu modo, a perseguição a trabalhadores e reformas antitrabalhadores realizou a precarização das relações de trabalho, reduziu exigências de segurança no trabalho, no caso das mulheres a precarização chegou a deixar a cargo da empresa a permissão de licença maternidade e o amamentamento durante o período de trabalho.

Empresários capitalistas brasileiros e estrangeiros estão satisfeitos com a nova legislação trabalhista que repete leis do início do século passado. Tais reformas estão longe de quererem o bem estar do trabalhador e ampliam sua exploração. Estes exploradores do século 21 já usam máquinas e aplicativos que substituíram trabalhadores em diversos setores. Amontoados de jovens e idosos sem trabalho e sem garantias sociais lhes oferecem mão de obra barata e lucro certo trabalhando por salários insuficientes para uma vida digna.

Motivos para ir a greve? Impedir a reforma da previdência e garantir nossas aposentadorias; reconquistar direitos roubados na reforma trabalhista em 2017; extinguir o assédio e abuso sexual no mundo do trabalho; redução da carga horária de trabalho sem redução salarial; estabelecer definitivamente o trabalho como direito social inalienável; extinguir o imposto sindical; extinguir o sindicato único pela liberdade de auto-organização das pessoas trabalhadoras.

Chamamos à toda gente para fortalecer e realizar a greve solidária. Em 8 de março de 2018 vamos às ruas iniciar as batalhas ombro a ombro mulheres e homens para conquista de uma vida melhor para nós, para nossas crianças e idosos hoje.

Já basta de exploração.

Já basta de assédio.

Já basta de abuso sexual.

Já basta de patriarcalismo.

Já basta de machismo.

Viva as mulheres trabalhadoras, viva a liberdade.

Juntas paramos. Juntas avançamos.

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Greve Internacional Feminista

A Confederação Nacional do Trabalho apoia o chamado do movimento feminista do país e concorda em convocar uma greve geral de 24 horas para o dia 8 de Março.

· “Juntas paramos. Juntas avançamos” será o lema da campanha com a qual o sindicato encoraja todas as mulheres a apoiar a greve.

A Confederação Nacional do Trabalho (CNT) junta-se à iniciativa do movimento feminista do país para o Dia Internacional da Mulher e concorda por unanimidade com o plenário de regionais celebrado hoje convocando uma greve geral de 24 horas no próximo 8 de Março.

Nesta convocatória, a CNT coloca-se, enquanto sindicato, atrás do movimento feminista do país, que de forma autônoma, assemblearia e desde baixo apelou a todas as mulheres para exercerem o seu direito à greve em todas as áreas onde sofrem violência patriarcal: laboral, estudantil, de consumo e de cuidados.

A CNT partilha plenamente os motivos desta convocatória feminista porque reconhecemos o imenso valor do cuidado, tão intencionalmente ignorado pelo capitalismo selvagem; porque acreditamos que devemos confrontar a violência econômica; porque acreditamos que a violência sexual, que está em causa, viola a liberdade íntima e pública; porque acreditamos na necessidade de defender a diversidade afetivo-sexual; e porque saudamos a companhia dos feminismos radicalizados, tão necessários na luta coletiva.

Com o lema “Juntas paramos. Juntas avançamos”, a CNT inicia uma campanha de divulgação pelo país para divulgar e explicar a convocatória. O sindicato vai lançar uma nova página na Web para informar sobre tudo o que está relacionado com a greve e que reunirá as ferramentas e conteúdos em que está a trabalhar para o 8 de Março (nosotras.cnt.es). Entre estes, a CNT publicará um manual laboral que esclarecerá os direitos das trabalhadoras assalariadas perante de um dia de greve, todas as convocatórias nacionais, vídeos baseados nos motivos da greve e explicará através de artigos como tem influencia ser uma mulher em diferentes setores laborais.

Convencida de que a organização e o apoio mútuo são as únicas formas de conquistar a justiça social, a CNT convida a(o)s cidadã(o)s a sair às ruas neste dia de luta e a participar nas ações organizadas no 8M com o objetivo de enfrentarmos juntas um sistema patriarcal que nos oprime e nos explora, nos humilha e discrimina, que nos nega e mata pelo simples fato de ser mulheres.

No movimento feminista internacional, mostramos que não estamos dispostas a nos contentarmos com o que nos querem vender como “igualdade”. Queremos a verdadeira igualdade. E dessa forma, estamos diante de uma convocatória histórica que confirma a vivacidade da luta das mulheres de hoje e ontem para serem donas do seu corpo e da sua vida. Neste 8 de Março, a(o)s anarcossindicalistas irão à greve convencidas da vitória. Juntas paramos, juntas avançamos.

> Vídeo (05:16) – coletiva de imprensa “CNT: 8M Greve Geral Feminista”:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=22&v=FlHTABAfcK4

Fonte: http://cnt.es/noticias/cnt-aprueba-por-unanimidad-convocar-huelga-general-feminista-para-este-8-de-marzo

Tradução > Gisandra Oliveira

agência de notícias anarquistas-ana

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A Internacional e a Aliança em Espanha

Coleção de documentos não publicados ou raros. Wolfgang Eckhardt. Coluna de Pesquisa, 2.344 páginas, PVP: 14 euros.

Este livro contém 56 documentos inéditos ou raros relacionados à Iª Internacional em Espanha nos anos 1869-1872, extraídos principalmente dos arquivos de Moscou, que terminaram após avatares históricos.

Os documentos são agrupados em cinco seções (a delegação espanhola ao Congresso da Haia, a correspondência com o Conselho Geral de Londres, etc.), cada um deles antecipado por um estudo preliminar detalhado. Eles são apresentados no idioma original, acompanhados pela tradução em espanhol nos casos em que o referido idioma é diferente do espanhol e contextualizado com comentários específicos.

O conjunto anuncia nada menos do que a primeira fratura do movimento trabalhista europeu nascente entre dirigismo ou federalismo, instrumentalização ou autonomia, parlamentarismo ou extraparlamentarismo, uma divisão que continua a marcar a história dos movimentos sociais.

Wolfgang Eckhardt colabora com o espaço anarquista Biblioteca de los Libres em Berlim e investiga a história do anarquismo desde 1990. Suas publicações incluem The First Socialism Schism. Bakunin vs. Marx na Associação Internacional dos Trabalhadores (2016) e uma edição em vários volumes das obras de Bakunin em alemão.

Felipe Orobón é um tradutor independente, um artista e um membro da FAU. Ele chegou a Berlim em 1988 e espera desde então ver outras fronteiras caírem.

Juan Pablo Calero, professor do Instituto e doutor  em História Contemporânea da Universidade Autônoma de Madri. Autor de livros como O governo da anarquia, Elite e aula. Um século de Guadalajara ou Isabel Muñoz Caravaca de um século que ainda não chegou e editor de Celso Gomis: excursões na província de Guadalajara, anarquistas e marxistas na Primeira Internacional ou 100 imagens para um centenário: CNT (1910-2010) ).

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Organização, resistência, luta social e anarquista em Venezuela.

Apoios e solidariedade à luta dos companheiros e companheiras em Venezuela. Pão e Liberdade aos povos e aos tabalhadores.

Este es el poster promocional del evento, incluyendo programación, información para quienes asistan y demas detalles de interés. Agradecemos darle el máximo de difusión posible.

Pela autogestão e fim da ditadura.

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Fórum Anarquista de Granada em Espanha

Realizou-se em 16 de dezembro,na Biblioteca Social Hermanos Quero, o Fórum Anarquista de Granada, que nasceu com a intenção de criar um ponto de encontro para todos os habitantes anarquistas na cidade.

Objetiva-se construir coletivamente um lugar de debate e reflexão, confrontar e compartilhar os diferentes pontos de vista que existem no movimento libertário. A partir deste Fórum buscamos também a formação de um espaço que encoraje a análise da sociedade e dos assuntos atuais e também seja capaz de desenvolver e encorajar a autocrítica de nossas diferentes ações e atividades, analisando a influência real que temos em nossos ambientes.

 

Saúde!

Para mais informações: foroanarquistagranada@riseup.net

ANARQUISMO: DEBATE (PERGUNTAS PARA O DEBATE)

• Qual é a influência do anarquismo na sociedade?

• Qual é a presença anarquista nas ruas?

• Somos autorreferenciais?

• Pensas que o anarquismo seria um modelo de sociedade válido para todos?

• Existe uma única estratégia para chegar à anarquia?

• Achas que o movimento libertário poderia atingir um mínimo para projetar um caminho ou programa?

• Como afetou o surgimento do fenômeno dos movimentos sociais, como 15M ou as Marés, ao anarquismo?

• Qual o impacto que as redes sociais tiveram na divulgação de nossas ideias e na luta?

• Como entendemos a autogestão?

• Acreditas que as vitórias com objetivos reformistas de curto prazo são úteis para o movimento libertário?

• Todas as lutas, como o transfeminismo e o antiespecismo, estão integradas no anarquismo?

• Nós, os e as anarquistas, agimos em nossa realidade imediata? Ou nos perdemos em questões ou problemas distantes?

• O movimento libertário é teoricamente formado para responder aos problemas atuais?

• Você acha que o anarquismo tem um bom fundo ideológico para emancipar a humanidade?

• Com que referências teóricas e organizacionais atuais o anarquismo conta hoje?

• Você acha que as organizações e coletivos anarquistas atuais podem ser o germe de uma sociedade libertária?

• Qual é o sujeito de transformação social que contempla o anarquismo?

 

Link: https://www.bsquero.net/2017/12/09/presentacion-del-foro-anarquista-granada-debate-sabado-16-diciembre-18h/

 

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Prisões, Assassinatos de Estado, Fome: a ditadura madurista na Venezuela

Lista de notícias em português da Agência de Notícias Anarquistas sobre a situação de calamidade humanitária pela qual passa o povo e anarquistas na Venezuela.

Aqui se pode ter uma noção geral do quadro de crueldade, prisões, assassinatos realizados pelo Estado ditatorial e pelo partido da direita contra os trabalhadores, trabalhadoras e povos indígenas nos campos e cidades.

A disputa pelo poder  realizada pelos partidos da direita e  da esquerda, que disputam a tomada do poder do Estado, para a administração do capitalismo local que explorará os trabalhadores no território da Venezuela segue seu curso. Governos e Empresas dos Estados Unidos, Canadá e União Europa assistem e financiam silenciosamente o massacre ditatorial de esquerda e direita na Venezuela.

Partidos socialistas e comunistas calam e alguns até apoiam o autoritário e assassino governo Maduro.

O silêncio dos povos e dos trabalhadores, das organizações de direitos humanos, organizações populares, organizações sindicais, algumas organizações anarquistas no mundo nos faz constatar a existência de uma solidariedade e apoio mútuos seletivos.

Denunciamos mais uma vez que crianças, idosos, povos indígenas das diversas etnias, pessoas trabalhadoras dos campos e das cidades seguem sendo presas, expulsas de seus territórios e casas, assassinadas pelo governo ditatorial do presidente Maduro e pela direita alimentada pelo novo consenso do governo internacional liberal em benefício de mais lucros.

1 – [Venezuela] PNB e GNB golpeiam brutalmente a youtuber libertário em Anzoátegui

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/07/20/venezuela-pnb-e-gnb-golpeiam-brutalmente-a-youtuber-libertario-em-anzoategui/

2 – [Venezuela] Com Maduro, como com Macri, há desaparecimentos forçados e repressão contra os povos indígenas

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/10/31/venezuela-com-maduro-como-com-macri-ha-desaparecimentos-forcados-e-repressao-contra-os-povos-indigenas/

3 – Fome mata número recorde de crianças na Venezuela, diz NYT

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/12/20/fome-mata-numero-recorde-de-criancas-na-venezuela-diz-nyt/

4 – [Venezuela] Atualização expressa da situação venezuelana

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/02/27/venezuela-atualizacao-expressa-da-situacao-venezuelana/

5 – [Venezuela] Solidariedade com Bernhard Heidbreder, na semana pró-presxs anarquistas 2014

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/08/27/venezuela-solidariedade-com-bernhard-heidbreder-na-semana-pro-presxs-anarquistas-2014/

6 – [Venezuela] Um mundo melhor. Declaração de Bernhard Heidbreder desde a prisão

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/10/24/venezuela-um-mundo-melhor-declaracao-de-bernhard-heidbreder-desde-a-prisao/

7 – [Venezuela] Editorial do El Libertario # 75; março-abril 2015

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2015/03/17/venezuela-editorial-do-el-libertario-75-marco-abril-2015/

8 – [Venezuela] “Crise” U$A-Venezuela: Entre a prepotência da Casa Branca, a demagogia de Miraflores e os confrontos inter-imperialistas

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2015/03/20/venezuela-crise-ua-venezuela-entre-a-prepotencia-da-casa-branca-a-demagogia-de-miraflores-e-os-confrontos-inter-imperialistas/

9 – [Venezuela] Resenha do 3º Encontro Libertário “Valles del Tuy 2016“

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/07/15/venezuela-resenha-do-3o-encontro-libertario-valles-del-tuy-2016/

10 – [Venezuela] Anarquistas contra o Arco Mineiro do Orinoco

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/08/11/venezuela-anarquistas-contra-o-arco-mineiro-do-orinoco/

11 – [Venezuela] Doña Maldad: “Todos contra o AMO. Tour” – Colômbia-México 2016

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/11/04/venezuela-dona-maldad-todos-contra-o-amo-tour-colombia-mexico-2016/

13 – [Venezuela] Entrevista à Biblioteca Móvel “La Soledad” por seus 3 anos na luta

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/11/14/venezuela-entrevista-a-biblioteca-movel-la-soledad-por-seus-3-anos-na-luta/

14 – [Venezuela] Entrevista com Glauber González desde Oriente

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/12/14/venezuela-entrevista-com-glauber-gonzalez-desde-oriente/

15 – [Venezuela] Anatema anarquista de luta contra a ditadura

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/07/venezuela-anatema-anarquista-de-luta-contra-a-ditadura/

16 – [Venezuela] Pronunciamento Anarquista Contra a Carta Democrática Interamericana e o Estado

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/18/venezuela-pronunciamento-anarquista-contra-a-carta-democratica-interamericana-e-o-estado/

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9° Feria de libros y publicaciones anarquistas – México/DF

Federación Anarquista de México (FAM-IFA)

Estimados y estimadas compañeras

Los y las invitamos a asistir y participar en la 9° Feria de libros y publicaciones anarquistas los días sábado 3 y domingo 4 de marzo en el Centro Social Libertario Ricardo Flores Magon, ubicado en calle Donceles n. 10 Col. Centro, cerca de metro Allende

Federación Anarquista de México
(FAM-IFA)

Más información en http://federacionanarquistademexico.org

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A primazia da ética sobre o político no anarquismo/La primacia de lo ético sobre lo político en el anarquismo.

Português/Espanhol

Capi Vidal

O anarquismo clássico considera a melhor organização social, em oposição à regulação por uma instância objetiva externa (o Estado), decorrente da vontade de indivíduos livres, autônomos e conscientes com o paradigma da solidariedade contra qualquer outro; é um primado do ético sobre o político.

Embora, objetivamente, o anarquismo seja obviamente muito condicionado por Bakunin, a partir do terceiro terço do século XIX, as influências filosóficas são diversas. De fato, o próprio pensamento de Bakunin, embora muitas vezes apresentado como herdeiro de Hegel, um dos filósofos mais influentes do século XIX, também pode ser visto como uma reação contra o pensador alemão. Se, em primeiro lugar, o anarquista russo fazia parte dos círculos da chamada “esquerda hegeliana”, até dedicando-lhe elogios excessivos, chegará um ponto em que ele se afastará dessa concepção filosófica para apostar decididamente no progresso, ética e anti-autoritarismo. É por isso que há autores que consideram a evolução do pensamento de Bakunin como uma reação contra Hegel se aproximando de Kant, já que ele acabou propondo o primado das questões éticas sobre a política. Além das discussões filosóficas, consideramos que essa visão já faz parte da eternidade dos sinais de identidade do anarquismo.

Assim, podemos analisar a ação do ser humano de diferentes perspectivas, e duas das mais importantes são políticas e éticas. Se o primeiro se refere à polis, a cidade, a ética deriva da palavra grega ethos, que significa forma de ser, uso, caráter ou lugar habitual da vida. Ambos os conceitos referem-se a ações boas e justas, embora o alcance da política seja social e da ética individual. A política também estuda o homem, mas como cidadão e membro de uma comunidade, incluindo propostas de organização social e de vida, leis e métodos de regulação e controle; seu objetivo final poderia ser a justiça. A ética, em vez disso, estuda as regras do comportamento individual, que diz respeito à vida e consciência de cada um, por isso pode-se dizer que seu objetivo é a felicidade. O problema da organização social tem sido visto como um equilíbrio entre os dois extremos, o da ética e o da política.

Como é sabido, em Hegel prevaleceu um modelo orientado para a política, isto é, e neste caso, o Estado; o espírito objetivo prevalecente sobre o subjetivo. A estrutura pública que permite a ação individual seria pública; a política precede a ética e seria sua condição de possibilidade. Para Hegel, se a liberdade é entendida como uma subjetividade sem limites, o terror é gerado, razão pela qual é necessária uma esfera objetiva de normas que permita a ordem e a convivência. Obviamente, este lugar objetivo é o Estado, que para Hegel, além de permitir a ordem social, é o lugar onde o indivíduo se desenvolve verdadeiramente, buscando unidade e não separação.

Como dissemos, o Estado, o espírito objetivo hegeliano, precede todas as ações individuais e também a sociedade civil. No entanto, existe um modelo oposto, mais cedo, que é o de Kant. De acordo com o mesmo, a instância coesa não é o coletivo, mas o individual, o subjetivo. Cada indivíduo é anterior à condição social e final, para que possamos falar de uma filosofia construída em torno da liberdade. Para Kant, o indivíduo é livre e dá-se regras de conduta que surgem de sua vontade racional. Deste ponto de vista, o político não é anterior a toda a subjetividade, mas surge da liberdade dos indivíduos prontos para organizar o mundo. Embora Kant fale finalmente do Estado, é uma organização política decorrente da vontade racional dos indivíduos, de acordo com os princípios de liberdade, igualdade e independência. Kant dá grande confiança ao motivo e à autonomia de cada homem, que, obviamente, deve reconhecer e respeitar a liberdade do resto para construir a sociedade política em paz. Resumimos esse modelo como uma ética individual como um ponto de apoio para a construção política.

Vamos ver o que o anarquismo moderno tem a ver com esses modelos anteriores. Kant, que é um autor que confia nas possibilidades emancipadoras do Iluminismo, considera que um dos principais obstáculos à libertação é deixar-se guiar pelos outros, deixando de lado a capacidade autônoma do indivíduo, se lançando para obedecer em vez de raciocinar. Lembre-se que, para Kant, a liberdade é sinônimo de razão moral, inerente a todo ser humano. Assim, o indivíduo autônomo e iluminado não pode tolerar uma autoridade que tente contra sua liberdade, que é o fundamento da ação do homem. Portanto, as pessoas são livres na medida em que são pessoas, não porque pertençam a uma comunidade política, então o exercício da liberdade não deve ser sujeito a legislação externa. Esta é uma visão muito próxima da do anarquismo de Bakunin, segundo a qual não deve haver um quadro legal externo à vontade individual dos seres humanos; devemos construir uma sociedade sem um Estado. Existem outras semelhanças entre a filosofia de Bakunin e a filosofia de Kant, como considerar todos os seres humanos como um fim e não como um meio, algo que podemos chamar de “dignidade humana”.

Da mesma forma, em ambos os autores, reúne a visão de uma liberdade vivida como uma comunidade de indivíduos livres e responsáveis, uma condição indispensável para a vida moral. Embora Kant acredite que a possibilidade da paz social é dada graça ao progresso da razão e da moral, o anarquismo responderá que ocorre graças à solidariedade e apoio mútuo. Bakunin recuperará a visão aristotélica do ser humano como um “animal social” e, priorizando a ética sobre o político, observará a organização social como resultado de acordos livres e espontâneos por parte dos indivíduos. Essas sociedades, baseadas em liberdade, contrato livre e acordo voluntário, funcionam melhor do que aquelas que são reguladas por instâncias externas.

Portanto, para o anarquismo, as melhores sociedades são as que trabalham através do paradigma da solidariedade. Bakunin, deixando de lado diferenças notáveis, concorda com Kant e se afasta de Hegel considerando o indivíduo livre, autônomo e espontâneo, de modo que todo o poder entendido como uma entidade de alienação e exploração deve ser eliminado. O poder, que Hegel entendia como uma referência objetiva para regular a sociedade, seria para o anarquismo a origem de todos os privilégios, desigualdades e injustiças. Para Bakunin e o anarquismo clássico, o poder e a liberdade são mutuamente exclusivos, um pouco controversos na visão pós-moderna. Seja como for, e, além de toda especulação abstrata, o que permaneceu para sempre como uma das características do anarquismo é a primazia da ética, da solidariedade e do apoio mútuo, em oposição à política. Isto, na visão hegeliana, e devedor disso, é o Estado moderno, como uma realidade objetiva externa à sociedade, com a aspiração de ordem, controle e regulação.

 

Capi Vidal

 

El anarquismo clásico considera la mejor organización social, en oposición a la regulación por parte de una instancia objetiva externa (el Estado), surgida de la voluntad de individuos libres, autónomos y conscientes con el paradigma de la solidaridad frente a cualquier otro; se trata de una primacía de lo ético sobre lo político.

Aunque, objetivamente, el anarquismo se ve obviamente muy condicionado por Bakunin, a partir del tercer tercio del siglo XIX, las influencias filosóficas son diversas. De hecho, el propio pensamiento de Bakunin, aunque a menudo se le presenta como un heredero de Hegel, uno de los filósofos más influyentes en el siglo XIX, se le puede considerar también como una reacción contra el pensador alemán. Si en un principio, el anarquista ruso formó parte de los círculos de la llamada “izquierda hegeliana”, dedicándole incluso elogios desmedidos, llegará un punto en que se apartará de dicha concepción filosófica para, decididamente, apostar por el progreso, la ética y el antiautoritarismo. Es por eso que existen autores que consideran la evolución del pensamiento de Bakunin como una reacción contra Hegel acercándose más a Kant, ya que acabó proponiendo la primacía de las cuestiones éticas sobre las políticas. Al margen de disquisiciones filosóficoas, consideramos que dicha visión forma parte ya para siempre de las señas de identidad del anarquismo. Así, podemos analizar la acción del ser humano desde perspectivas diversas, y dos de las más importantes son la política y la ética. Si la primera remite a la polis, la ciudad, la ética deriva del vocablo griego ethos, que viene a significar una manera de ser, uso, carácter o lugar habitual de la vida. Ambos conceptos se refieren a las acciones buenas y justas, si bien el ámbito de la política sería el social y el de la ética el individual. La política estudia igualmente al hombre, pero como ciudadano y miembro de una comunidad, incluyendo propuestas de vida y organización social, leyes y métodos de reglamentación y control; su objetivo último podría ser la justicia. La ética estudia más bien las normas de comportamiento individual, lo que atañe a la vida y la conciencia de cada uno, por lo que puede decirse que tiene como meta la felicidad. El problema de la organización social se ha visto como un equilibrio entro los dos extremos, el de la ética y el de la política.

Como es sabido, Hegel primó un modelo orientado hacia la política, es decir, y en este caso, el Estado; el espíritu objetivo predominando sobre lo subjetivo. Sería lo público el marco de referencia que permite la acción individual; la política precede a lo ético y sería su condición de posibilidad. Para Hegel, si la libertad se entiende como una subjetividad sin límites se genera el terror, por lo que es necesario un ámbito objetivo de normas que posibilite el orden y la convivencia. Ese lugar objetivo es, obviamente, el Estado, que para Hegel, además de posibilitar el orden social, es el lugar donde se desarrolla verdaderamente el individuo buscando la unidad y no la separación. Como dijimos, el Estado, el espíritu objetivo hegeliano, precede a toda acción individual y también a la sociedad civil. Sin embargo, existe un modelo opuesto, anterior en el tiempo, que es el de Kant. Según el mismo, la instancia cohesionadora no es la colectiva, sino la individual, la subjetiva. Cada individuo es previo a lo social y su definitiva condición, por lo que podemos hablar de una filosofía construido en torno a la libertad. Para Kant, el individuo es libre y se otorga a sí mismo unas normas de conducta que surgen de su voluntad racional. Desde este punto de vista, lo político no es previo a toda subjetividad, sino que surge de la libertad de los individuos prestos a organizar el mundo. Aunque Kant habla finalmente de Estado, se trata de una organización política surgida de la voluntad racional de los individuos, según los principios de libertad, igualdad e independencia. Kant otorga una gran confianza a la razón y la autonomía de cada hombre, que debe por supuesto reconocer y respetar la libertad del resto para construir la sociedad política en paz. Resumimos este modelo como una ética individual como punto de apoyo para la construcción política.

Veamos qué tiene que ver el anarquismo moderno con estos modelos previos. Kant, que es un autor que confía en las posibilidades emancipatorias de la Ilustración, considera que uno de los principales obstáculos para la liberación es dejarse guiar por otros dejando a un lado la capacidad autónoma individual, lanzarse a obedecer en lugar de a razonar. Recordemos que para Kant la libertad es sinónimo de razón moral, consustancial a cada ser humano. Así, el individuo autónomo e ilustrado no puede tolerar una autoridad que atenta contra su libertad, que es el fundamento de la acción del hombre. Por lo tanto, las personas son libres en cuanto que son personas, no por pertenecer a una comunidad política, por lo que el ejercicio de la libertad no debe someterse a una legislación externa. Es esta una visión muy cercana a la del anarquismo de Bakunin, según la cual no debe haber un marco jurídico externo a la voluntad individual de los seres humanos; hay que construir una sociedad sin Estado. Existen otras similitudes entre la filosofía de Bakunin y la de Kant, como es el hecho de considerar a todo ser humano un fin y no un medio, algo que podemos llamar “dignidad humana”. Del mismo modo, en ambos autores de reúne la visión de una libertad vivida como una comunidad de individuos libres y responsables, condición indispensable para la vida moral. Aunque Kant considera que la posibilidad de la paz social se da gracia al progreso de la razón y de la moralidad, el anarquismo responderá que se produce gracias a la solidaridad y el apoyo mutuo.  Bakunin recuperará la visión aristotélica del ser humano como “animal social” y, primando lo ético sobre lo político, observará la organización social como fruto de acuerdos libres y espontáneos por parte de los individuos. Estas sociedades fundadas en la libertad, el contrato libre y el pacto voluntario, funcionan mejor que las que se ven reguladas por instancias externas.

Por lo tanto, para el anarquismo las sociedades mejores son aquellas que funcionan mediante el paradigma de la la solidaridad. Bakunin, dejando a un lado diferencias notables, coincide con Kant y se aparta de Hegel al considerar al individuo libre, autónomo y espontáneo, por lo que todo poder entendido como un ente de alienación y explotación debe ser eliminado. El poder, que Hegel entendía como un referente objetivo para regular la sociedad, sería para el anarquismo el origen de todo privilegio, desigualdad e injusticia. Para Bakunin y el anarquismo clásico, el poder y la libertad se excluyen mutuamente, algo objeto de controversia en la visión posmoderna. Sea como fuere, y al margen de toda especulación abstracta, lo que ha quedado para siempre como una de las señas de identidad del anarquismo es esa primacía de lo ético, de la solidaridad y el apoyo mutuo, frente a la política. Esta, en la visión hegeliana, y deudor de ella es el Estado moderno, como una realidad objetiva externa a la sociedad con la aspiración de ordenar, controlar y reglamentarla.

[Tomado de http://reflexionesdesdeanarres.blogspot.com.es/2018/01/la-primacia-de-lo-etico-sobre-lo.html.]

 

Livre tradução: Blanca Andradez

Carybé

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Jornadas Antifascistas: não passarão, não passarão, não passarão.

Convidamos a todas para as jornadas antifascistas a ocorrer no mês de fevereiro.  Ações diretas realizadas pel@ Coletivx Anarc@punk Aurora Negra e Centro de Cultura Social Vila Dalva dentro das ações 2018 da Iniciativa Federalista Anarquista de resistência e luta contra a opressão, pela destruição do fascismo e a conquista da sociedade livre.

 

De pé e organizados. Resistir e lutar.

 

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4ºFórum Geral Anarquista no Brasil – 2018

Vem aí o 4ºFórum Geral Anarquista no Brasil.

Il y a un 4ºForum Anarchiste Général au Brésil.

Comes the 4ºGeneral Anarchist Forum in Brazil.

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