Morreu o historiador Carlos da Fonseca (1940-2017)

O historiador Carlos da Fonseca faleceu em Paris, no dia 9 de Maio, na sequência de uma doença com que se debatia, quase secretamente, há muitos anos, e que a partir de certa altura muito debilitou a sua actividade de autor.

Historiador do movimento operário e do anarquismo em Portugal, lega-nos, em particular neste domínio, uma obra considerável, das reedições comentadas de «textos esquecidos» aos quatro volumes, essenciais, da sua História do Movimento Operário e das Ideias Socialistas em Portugal (Europa-América), passando por volumes como Integração e
Ruptura Operária
(Estampa). Os seus últimos livros conhecidos, Para uma Análise do Movimento Libertário em Portugal e O 1º de Maio em Portugal, foram publicados pela Antígona.

Carlos da Fonseca nasceu em Peniche, onde começou a trabalhar aos 11 anos de idade, passando por diversos e provisórios ofícios. Nos anos 60, refractário ao exército colonial, exilou-se em França, onde fez longos estudos universitários, primeiro na Universidade de Paris VIII (Vincennes), depois na École Pratique des Hautes Études, onde se acentuou a sua vocação investigativa. Foi professor de história e cultura portuguesa na
Universidade de Paris VIII e, posteriormente, na Sorbonne.

Personalidade de uma obstinada discrição, pode aplicar-se-lhe o verso programático
de Luiza Neto Jorge «Não me quero com o tempo nem com a moda». Mas a sua veia
satírica, embora pouco exposta, surgiu por vezes em textos não assinados como
«Desratização», publicado na revista Pravda, em que investe contra os «fabricantes de opinião»: «Subindo pelos canos de esgoto do vedetariado servil, invadiram a imprensa, instalando-se nas redacções, para daí contagiarem, com visível perigo sanitário, as crédulas populações, através de doses de informação mercenária”.

A sua obra de historiador rigoroso e influente está a necessitar de uma atenção redobrada. Nestas toscas linhas, daqui saudamos a sua memória de homem inteiro.

Original: http://www.letralivre.com/noticias/detalhes.php?id=312

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Chamado desde a Venezuela aos anarquistas da América Latina e do mundo: A solidariedade é muito mais que uma palavra escrita.

Coletivo Editor do “El Libertario”

(Em Espanhol e Inglês)

Nos dirigimos a todas as expressões do movimento libertário, em particular às deste continente, não só para chamar sua atenção ante a conjuntura que estamos vivendo na Venezuela desde abril de 2017, mas também porque entendemos ser urgente que o anarquismo internacional se expresse mais enfaticamente sobre estas dramáticas circunstâncias, com posturas e ações coerentes com o que tem sido o discurso e a prática do ideal ácrata em sua caminhada histórica.

É deplorável que, enquanto por uma parte o governo chavista – hoje encabeçado por Maduro – juntamente com as suas caixas de ressonância do exterior e, por outro, os opositores da direita e da social democracia, estão em desaforadas campanhas para vender à opinião pública mundial suas visões igualmente distorcidas e carregadas de interesses pelo poder, muitas vozes anarquistas fora da Venezuela têm mantido um mutismo que de algum modo resulta tácita aceitação sobre o que uns e outros contendent es famintos pelo poder estatal querem impor como “verdade”. Sabemos que as vozes que nos são afins não dispõem dos mesmos meios da ordem estatal de variadas aparências, e que os.as compas enfrentam realidades complexas onde há temas e problemas que, pelas suas proximidades, requerem suas preocupações mais imediatas, mas entendemos que essa dificuldade não deveria ser obstáculo para que, de algum modo por mais modesto que seja, se expresse, dê atenção; interesse e solidariedade tanto pelo que ocorre na Venezuela como pelo que se divulga sobre o anarquismo desta região.

Em um resumo sucinto do que o anarquismo local diz hoje, a atual conjuntura delata a natureza fascista do regime de Chávez, e sua sequência com Maduro. Governos militaristas reacionários que sempre denunciamos, desde “El Libertario”. Tem sido um regime vinculado ao crime, ao narcotráfico, ao saque, a corrupção, a prisão de opositores, torturas e desaparições, ao lado da desastrosa gestão econômica, social, cultural e ética. Chávez conseguiu se projetar com sua liderança messiânica e carismática, financiada pela elevação do preço do petróleo. No entanto após seu falecimento e com o fim da “bonança”, se esvaziou o chamado processo bolivariano, por estar sustentado em bases fracas. Esta “revolução” seguiu a tradição histórica rentista iniciada no começo do século XX com o ditador Juan Vicente Gómez, e continuada pelo militar Marcos Pérez Jiménez e que não cessou no posterior esquema “democrático representativo”.

Há quem no plano internacional (Noam Chomsky, o melhor exemplo), ratificaram inicialmente o apoio ao autoritarismo venezuelano e hoje o denunciam de maneira categórica. No entanto, observamos com grande preocupação o silêncio de muitos.as anarquistas deste e de outros continentes sobre os acontecimentos na Venezuela. Diz um adágio: “o que cala concorda”, o qual se cumpre perfeitamente quando se faz passar fome e reprime criminalmente a um povo, e os que deveriam protestar contra isso dizem pouco ou nada. Fazemos um chamado aos que abraçam as bandeiras libertárias a pronunciarem-se, se ainda não o f izeram, sobre nossa tragédia. Para a indiferença não há nenhuma justificação, caso se tenha uma visão ácrata do mundo. O contrário é encobrir a farsa governamental, esquecendo o dito pelos.as anarquistas de todos os tempos sobre a degradação do socialismo autoritário no poder. Talvez no passado a imagem “progressista” do chavismo pôde enganar inclusive a algumas pessoas libertárias, mas sendo consequentes com o nosso ideal é impossível hoje seguir sustentando essa crença.

Estamos na presença de um governo agonizante, deslegitimado e repressivo que busca perpetuar-se no poder, repudiado pela imensa maioria da população, que assassina através de suas forças repressivas e coletivos paramilitares, e que além disso promovem saques. Um governo corrupto que chantageia com caixas de alimentos, vendidos ao preço do dólar no mercado paralelo, que participa em todo tipo de negociata, um governo de boliburgueses e milicos enriquecidos com a renda petroleira e a mineração ecocida. Um governo que mata de fome e assassina, enquanto aplica um ajuste econômico brutal, acordado com o capitalismo transnacional, ao qual paga pontualmente uma dívida externa criminosa.

É hora de desmontar as manobras pseudo informativas dos que pretendem valer-se no exterior. Tanto de quem controla, como dos que aspiram controlar o Estado venezuelano, e nisso esperamos contar com o respaldo ativo de individualidades e agrupações libertárias tanto na América Latina como de outros lugares do planeta. Qualquer mostra de solidariedade anarquista será bem vinda pelo movimento ácrata venezuelano, certamente pequeno e movendo-se entre muitas dificuldades, mas que na atual conjuntura agradecerá enormemente saber que de algum modo contamos com os.as compas de todo o globo. Seja reproduzindo e divulgando a informação que difundimos os.as anarquistas da Venezuela, gerando opiniões e reflexões que desmontem as visões que neste tema os autoritários de direita e esquerda tentam impor, e – o que seri a muitíssimo melhor – promovendo ou respaldando iniciativas de ação em seus respectivos países onde se denunciem as circunstâncias de fome e repressão que hoje se vive na Venezuela.

Agora mais do que nunca é necessária sua presença e voz em todos os cenários possíveis em que seja denunciada a tragédia na qual está submerso o povo venezuelano.

Nota final do “El Libertario”: Análises mais amplas e detalhadas e informações sobre o que está acontecendo na Venezuela, e com periodicidade diária, no blog de “El Libertario” (periodicoellibertario.blogspot.com). Em especial, recomendamos estes posts [em castelhano] nos quais se expõe resumidamente nossa visão e postura a respeito da recente e atual conjuntura venezuelana:

> “Buenos Aires: Entrevista radial a El Libertario”

http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/01/buenos-aires-entrevista-radial-el.html

> “Cartografía del fracaso chavomadurista: Un recorrido por el mapa actual

de Venezuela”

http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/02/cartografia-del-fracaso-chavomadurista.html

> “Crisis en el pensamiento “crítico”, o saltando de un barco que se hunde”

http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/02/crisis-en-el-pensamiento-critico-o.html

> “Desenlace de la crisis venezolana”

http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/desenlace-de-la-crisis-venezolana.html

> “Declaración de El Libertario: Sobrepasar a los partidos políticos para enfrentar la crisis y construir una nueva Venezuela”

http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/declaracion-de-el-libertario-sobrepasar.html

> Venezuela hoy: Los errores dictatoriales

http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/venezuela-hoy-los-errores-dictatoriales.html

> “Una consigna de 2014 a retomar hoy: ¡DISOLUCIÓN INMEDIATA DE LA GUARDIA

NACIONAL BOLIVARIANA”

http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/una-consigna-de-2014-retomar-disolucion.html

> “El fraude Constituyente”

http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/05/el-fraude-constituyente.html

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/18/venezuela-pronunciamento-anarquista-contra-a-carta-democratica-interamericana-e-o-estado/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/07/venezuela-anatema-anarquista-de-luta-contra-a-ditadura/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/05/declaracao-do-el-libertario-ultrapassar-os-partidos-politicos-para-enfrentar-a-crise-e-construir-uma-nova-venezuela/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/04/colombia-o-silencio-progre-sobre-a-venezuela/

extraído da agência de notícias anarquistas-ana

original: http://periodicoellibertario.blogspot.com.br/2017/05/llamado-desde-venezuela-ls-anarquistas.html

Espanhol:

Llamado desde Venezuela a l@s anarquistas de Latinoamérica y el mundo: La solidaridad es mucho más que una palabra escrita.

Colectivo Editor de El Libertario

Nos dirigimos a todas las expresiones del movimiento libertario, en particular a las de este continente, no solo para llamar su atención ante la coyuntura que estamos viviendo en Venezuela desde abril de 2017, sino por lo que entendemos como urgencia en cuanto a que el anarquismo internacional se exprese mas enfáticamente sobre estas dramáticas circunstancias, con posturas y acciones coherentes a lo que ha sido la prédica y práctica del ideal ácrata en su andar histórico.

Es deplorable que, mientras por una parte el gobierno chavista –hoy encabezado por Maduro-junto a sus cajas de resonancia del exterior y, por la otra, los opositores de la derecha y la socialdemocracia, están en desaforadas campañas por vender a la opinión mundial sus visiones igualmente sesgadas y cargadas con intereses de poder, muchas voces anarquistas fuera de Venezuela han mantenido un mutismo que de algún modo resulta tácita aceptación a lo que unos u otros contendientes hambrientos por el poder estatal quieren imponer como “verdad”. Sabemos que las voces afines no disponen de los medios a la orden de estatistas de variado pelaje, y que l@s compas enfrentan realidades complejas donde hay temas y problemas que por su cercanía reclaman sus más inmediatas preocupaciones, pero entendemos que esa dificultad no debería ser obstáculo para que, de algún modo por modesto que sea, se exprese atención, interés y solidaridad tanto por lo que ocurre en Venezuela como por lo que al respecto divulga el anarquismo de esta región.

 

En apretado resumen de lo que el anarquismo local dice hoy, la actual coyuntura delata la naturaleza fascista del régimen de Chávez –y su secuencia con Maduro-, gobiernos militaristas reaccionarios que hemos denunciado por siempre desde El Libertario. Ha sido un régimen vinculado al delito, al narcotráfico, al saqueo, la corrupción, prisión de opositores, torturas, desapariciones aparte de la desastrosa gestión económica, social, cultural y ética. Chávez logró impactar con su liderazgo mesiánico y carismático, financiado por la elevación del precio del petróleo, sin embargo luego de su fallecimiento y con el fin de la bonanza, se desinflo el llamado proceso bolivariano, al estar sustentado en bases endebles. Esta “revolución” siguió la tradición histórica rentista iniciada a comienzos del siglo XX con el dictador Juan Vicente Gómez, continuada por el militar Marcos Pérez Jiménez y que no cesó en el posterior esquema democrático representativo.

Hay quienes en el plano internacional (Noam Chomsky, el mejor ejemplo), rectificaron su inicial apoyo al autoritarismo venezolano y hoy lo denuncian de manera tajante. Sin embargo, observamos con gran preocupación el silencio de much@s anarquistas de este y otros continentes sobre los acontecimientos en Venezuela. Dice un adagio: “el que calla otorga”, lo cual se cumple a la perfección cuando se hace pasar hambre y reprime criminalmente a un pueblo y quienes deberían protestar por ello dicen poco o nada. Hacemos un llamado a quienes abrazan las banderas libertarias a pronunciarse, si no lo han hecho, sobre nuestra tragedia. Para la indiferencia no hay ninguna justificación si se tiene una visión ácrata del mundo. Lo contrario es encubrir la farsa gubernamental, olvidando lo dicho por l@s anarquistas de todos los tiempos acerca de la degradación del socialismo autoritario en el poder. Quizás en el pasado el espejismo “progre” del chavismo pudo embaucar incluso a alguna gente libertaria, pero siendo consecuentes con nuestro ideal es imposible hoy seguir sosteniendo esa creencia.

Estamos en presencia de un gobierno agonizante, deslegitimado y represivo que busca perpetuarse en el poder, repudiado por la inmensa mayoría de la población, que asesina a través de sus fuerzas represivas y colectivos paramilitares, que además promueven saqueos. Un gobierno corrupto que chantajea con cajas de alimentos, vendidos a precio de dólar negro, que participa en toda clase de negociados, un gobierno de boliburgueses y milicos enriquecidos con la renta petrolera y la minería ecocida. Un gobierno que mata de hambre y asesina, mientras aplica un ajuste económico brutal acordado con el capitalismo transnacional, al cual paga puntualmente una deuda externa criminal.

Es hora de desmontar las maniobras seudo informativas de las que pretenden valerse en el exterior tanto quienes controlan, como quienes aspiran controlar al Estado venezolano, y en ello esperamos contar con el respaldo activo de individualidades y agrupaciones libertarias tanto en América Latina como en el resto del planeta. Cualquier muestra de solidaridad anarquista será bienvenida por el movimiento ácrata venezolano, ciertamente pequeño y moviéndose entre muchas dificultades, pero que en la actual coyuntura agradecerá enormemente saber que de algún modo contamos con l@s compas del resto del orbe, bien sea reproduciendo y divulgando la información que difundimos l@s anarquistas de Venezuela, generando opiniones y reflexiones que desmontan las visiones que en este tema intentan imponer autoritarios de derecha e izquierda, y –lo que sería muchísimo mejor- promoviendo o respaldando iniciativas de acción en sus respectivos países donde se condenen las circunstancias de hambre y represión que hoy se viven en Venezuela. Ahora más que nunca es necesaria su presencia y voz en todos los escenarios en que sea posible denunciar la tragedia en la cual está sumergido el pueblo venezolano

Nota final de El Libertario: Más amplios y detallados análisis e informaciones sobre lo que está pasando en Venezuela, además con periodicidad diaria, en el blog de El Libertario http://periodicoellibertario.blogspot.com. En especial, recomendamos estos posts en los que se expone resumidamente nuestra visión y postura respecto a la reciente y actual coyuntura venezolana: “Buenos Aires: Entrevista radial a El Libertariohttp://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/01/buenos-aires-entrevista-radial-el.html, “Cartografía del fracaso chavomadurista: Un recorrido por el mapa actual de Venezuela” http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/02/cartografia-del-fracaso-chavomadurista.html, “Crisis en el pensamiento “crítico”, o saltando de un barco que se hunde” http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/02/crisis-en-el-pensamiento-critico-o.html, “Desenlace de la crisis venezolana” http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/desenlace-de-la-crisis-venezolana.html, “Declaración de El Libertario: Sobrepasar a los partidos políticos para enfrentar la crisis y construir una nueva Venezuela” http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/declaracion-de-el-libertario-sobrepasar.html, Venezuela hoy: Los errores dictatoriales http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/venezuela-hoy-los-errores-dictatoriales.html, “Una consigna de 2014 a retomar hoy: ¡DISOLUCIÓN INMEDIATA DE LA GUARDIA NACIONAL BOLIVARIANA” http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/una-consigna-de-2014-retomar-disolucion.html, y “El fraude Constituyente” http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/05/el-fraude-constituyente.html.

Inglês:

A call from Venezuela to the anarchists of Latin America and the world: Solidarity is much more than a written word (in English).

Collective of the anarchist newspaper El Libertario

We address all the expressions of the libertarian movement, particularly those of this continent, not only to draw their attention to the situation we are living in Venezuela since April 2017, but by what we understand as urgency for the international anarchism expresses more emphatically on these dramatic circumstances, with positions and actions consistent with what has been the preaching and practice of the anti-hierarchic (actual word used here is “Ácrata”.^N.delT.) ideal in its historical walk.

It is deplorable that, while on the one hand the Chavista government -today headed by Maduro- together with its sounding boards from the outside and, on the other, the opponents from the right and the social-democracy, are in disgusting campaigns for selling to world opinion their equally biased visions and charged with interests of power, many anarchist voices outside of Venezuela have maintained a mutism that is in some way tacit acceptance of what one or other of the hungry contenders for state power want to impose as “truth.” We know that sympathetic voices do not have the access to most media, as it sits ready at the order of statists, and that comrades face complex realities where there are issues and problems that, due to their proximity, demand their immediate concerns, but we understand that this difficulty should not be an obstacle so that, in some modest way, attention, interest and solidarity are expressed both for what happens in Venezuela and for what the anarchism in this region divulges.

 

In a rundown of what local anarchism says today, the present juncture shows the fascist nature of the Chávez regime -and its sequence with Maduro-, reactionary militarist governments that we have denounced forever in El Libertario. It has been a regime linked to crime, drug trafficking, looting, corruption, imprisonment of opponents, torture, disappearances, apart from the disastrous economic, social, cultural and ethical management. Chávez managed to impact with his messianic and charismatic leadership, financed by the rise of the price of oil, however after his death and with the end of the bonanza, the so-called Bolivarian process deflated, being supported by weak bases. This “revolution” followed the historical rentist tradition initiated at the beginning of the 20th century with the dictator Juan Vicente Gómez, continued by the militarist Marcos Pérez Jiménez, and did not cease in the later representative democratic scheme.

There are those at the international level (Noam Chomsky, the best example), that rectified their initial support for Venezuelan authoritarianism and today they denounce it in a clear way. However, we note with great concern the silence of many anarchists of this and other continents about the events in Venezuela. It says an adage: “the one who is silent grants”, which is perfectly fulfilled when people are starved and criminally repressed and who should protest for it say little or nothing. We call on those who embrace the libertarian banners to pronounce, if they have not, on our tragedy. For indifference, there is no justification if one has an anti-hierarchic (actual word used here is “Ácrata”.^N.delT.) vision of the world. The opposite is to cover up the government farce, forgetting what the anarchists of all time have said about the degradation of authoritarian socialism in power. Perhaps in the past the “progressive” mirage of chavismo might have deceived even some libertarian people, but being consistent with our ideal it is impossible today to continue to hold that belief.

We are in the presence of an agonizing, delegitimized and repressive government that seeks to perpetuate itself in power, repudiated by the vast majority of the population, who murder through their repressive and paramilitary forces, which also promote looting. A corrupt government that blackmails with boxes of food, sold at black market dollar price, that participates in all kinds of capitalist business negotiations, a government of “bolibourgeois” (a portmanteau of the Bolivarian and bourgeois words.^N.delT.) and militarists enriched by the oil rent and ecocide mining. A government that kills with starvation and murders, while applying a brutal economic adjustment agreed with the transnational capitalism, to which punctually pays a criminal external debt.

It is time to dismantle the pseudo-informative maneuvers of those who pretend to use it at an international level for those who control, and those who aspire to control, the Venezuelan State, and in this we hope to count on the active support of individualities and libertarian groups in both Latin America and the rest of the world. Any sign of anarchist solidarity will be welcomed by the Venezuelan anti-hierarchic movement (actual word used here is “Ácrata”.^N. del T.), certainly small and moving among many difficulties, but at the present juncture will be grateful to know that we somehow have the support of people from the rest of the globe, either by reproducing and spreading the information disseminated by the anarchists of Venezuela, generating opinions and reflections that dismantle the visions in this issue that try to be imposed by authoritarians from the right and left, and -which would be much better- promoting or supporting action initiatives in your respective countries that denounce the circumstances of hunger and repression that are now present in Venezuela. Now more than ever it is necessary your presence and voice in all the possible scenarios where the tragedy in which the Venezuelan people is submerged gets denounced.

El Libertario‘s final note: More comprehensive and detailed analyzes and information on what is happening in Venezuela, on the blog of El Libertario. In particular, we recommend these posts which briefly outline our vision and position regarding the recent and current Venezuelan conjuncture (all in Spanish.^N.delT.):

– Buenos Aires: Radio interview with El Libertario http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/01/buenos-aires-interview-radial-el.html

– Cartography of chavomadurista failure: A tour of the current map of Venezuela http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/02/cartografia-del-fracaso-chavomadurista.html

– Crisis in the “critical thinking”, or jumping off a sinking ship http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/02/crisis-en-el-pensamiento-critico-o.html

– Outcome of the Venezuelan crisis http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/desenlace-de-la-crisis-venezolana.html

– Declaration of El Libertario: Surpassing the political parties to face the crisis and build a new Venezuela http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/declaracion-de-el-libertario-sobrepasar.html

– Venezuela Today: The dictatorial errors http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/venezuela-hoy-los-errores-dictatoriales.html

– A slogan of 2014 to resume today: IMMEDIATE DISSOLUTION OF THE GUARDIA NACIONAL BOLIVARIANA http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/04/una-consigna-de-2014-retomar-disolucion.html

– The constituent fraud http://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/05/The-fraud-constituent.html

Original post in Spanish on their blog: https://periodicoellibertario.blogspot.com/2017/05/llamado-desde-venezuela-ls-anarquistas.html

[Nota de El Libertario: Muchas gracias a l@s compas de Insurrection News por esta traducción al inglés. El original de la misma está en https://raddit.me/f/anarchism/281.]

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Malatesta e Makno: diálogos sobre organização anarquista.

Nota da LIGA: nos anos 2o do século XX seguiu-se um diálogo recorrente do debate sobre “organização anarquista” no seio do movimento anarquista. Uma vez mais as águas da anarquia regaram a livre terra da cultura social e política anarquista. Seus atores no momento eram nada menos que Nestor Makhno e Errico Malatesta. Anarquistas já respeitados em seu momento histórico.

Antes de você participar deste diálogo entre dois dos mais dedicados anarquistas na nossa história, é preciso vos dizer que outras formas de anarquismo tiveram expressão e notabilidade desde o século XIX: Mutualistas, Coletivistas, Anarco-Sindicalistas, Anarco-Cristãos, Anarco-Comunistas, Niilistas, Anarco-Feministas, Anarco-Individualistas, Anarco-queer, Anarco-Punk… e destas tantas outras formas e expressões libertárias foram paridas no seio dessa terra fértil que é a anarquia.

Hoje, temos também alguns ilógicos híbridos absurdos como Anarco-bolcheviques, Anarco-capitalistas, Anarco-maduristas, Anarco-nacionalistas. Com estas expressões  concluímos que o conceito “anarco” tornou-se, para desavisados e imbecis úteis, apenas um prefixo, um adjetivo para oportunistas de plantão, filão de pesquisa de carreristas acadêmicos. Mas a história anarquista é uma referência para que as gerações de hoje e de amanhã não sejam alienadas. E para além da anarquia, o desejo de liberdade é maior que a mentira.

Enfim, paz entre nós, resistência e luta contra exploradores e opressores. Uma excelente leitura.

Resposta a um “Projeto de Organização Anarquista”
Errico Malatesta (1927)Recentemente, li um panfleto francês intitulado ‘Plataforma Organizacional da união Geral dos Anarquistas (Projeto), que me chegou às mãos por acaso. Sabe-se que, hoje, na Itália [1927], os escritos não-fascistas não podem circular livremente.

É um projeto de organização anarquista, publicado sob o nome de um ‘Grupo de Anarquistas Russos no exterior, e parece-me ser particularmente dirigido aos companheiros russos. Porém, trata de questões de igual interesse para todos os anarquistas, e, é claro, por ser escrito em francês, busca a adesão de companheiros de todos os países. De qualquer forma, é valido examiná-lo, tanto para os russos como para os demais, se a proposta está de acordo com os princípios anarquistas e se sua realização servir verdadeiramente à causa do anarquismo. Os motivos dos companheiros são excelentes. Eles lamentam o fato de que até agora os anarquistas não tiveram influência nos eventos políticos e sociais em proporção aos valores teóricos e práticos de sua doutrina, tampouco em seu número, sua coragem e seu espírito de sacrifício; e acreditam que a razão principal desse relativo fracasso é a falta de uma organização grande, séria e ativa.

Até aqui, em princípio, estou de acordo. A organização nada mais é do que cooperação e solidariedade na prática, uma condição natural e necessária para a vida social. É um fato inevitável, que se impõe a todos, numa sociedade humana em geral ou em qualquer grupo de pessoas unidas por um objetivo comum. Os seres humanos não podem viver isolados, na verdade não podem sequer tornar-se verdadeiros seres humanos e satisfazer suas necessidades morais e materiais a não ser como parte da sociedade e com a cooperação de seus semelhantes. É, pois, inevitável que todos os aqueles que não se organizam livremente, seja por que não podem ou porque não o consideram necessário, devem submeter-se à organização estabelecida por outros, que geralmente formam uma classe ou um grupo dirigente, cuja finalidade é oprimi-los e explorá-los.

A milenar opressão das massas por um número pequeno de privilegiados tem sempre sido o resultado da incapacidade, da maioria dos indivíduos, em chegar a um acordo e se organizar com base na comunidade de interesses e de sentimentos com os outros trabalhadores, para produzir, para consumir e, eventualmente, defender-se contra aqueles que procuram explorá-los e oprimi-los. O anarquismo quer resolver esse estado de coisas com seu principio básico de organização livre, fundada e gerada mediante o livre acordo de seus membros, sem qualquer espécie de autoridade; ou seja, sem que ninguém tenha o direito de impor sua vontade. É, pois, óbvio que os anarquistas procurem aplicar em sua vida privada e sua vida política esse mesmo princípio sobre o qual acreditam que toda a sociedade humana deveria se basear.

A julgar por certas polêmicas, parece que existem anarquistas que rejeitam qualquer forma de organização. Mas, de fato, as inumeráveis discussões sobre este assunto, mesmo quando são obscurecidas por questões de linguagem ou envenenadas por questões pessoais, referem-se às formas e não ao princípio de organização. Tanto é assim, que mesmo aqueles companheiros mais hostis à organização, quando querem realmente fazer alguma coisa, organizam-se como os demais e até de maneira mais efetiva. Tudo não passa de uma questão de aplicação.

Portanto, eu apenas posso observar com simpatia a iniciativa dos companheiros russos, por estar convencido de que uma organização mais geral, mais unida, mais duradoura do que qualquer outra até aqui organizada pelos anarquistas – mesmo se ela não conseguiu abolir todos os erros e deficiências que são talvez inevitáveis num movimento como o nosso, que avança no meio da incompreensão, indiferença e mesmo a hostilidade da maioria – seria inegavelmente um elemento importante de força e de sucesso, um poderoso meio para fazer valer nossas idéias.

Eu acredito sobretudo que é necessário e urgente que os anarquistas se organizem para influenciar o rumo que seguem as massas na sua luta pelas reformas e pela emancipação. Hoje, a maior força de transformação social é o movimento operário (movimento sindical) e de sua direção depende, em grande parte, o curso que tomarão os eventos e o objetivo da próxima revolução. Nas organizações que cria para a defesa de seus interesses, os trabalhadores adquirem a consciência da exploração que sofrem e do antagonismo que os separam dos patrões, começam a desejar uma vida melhor, acostumam-se à uma luta coletiva e à solidariedade e conquistam as melhorias compatíveis com o regime capitalista e estatal. Em seguida, virá a revolução ou a contra-revolução. Os anarquistas devem reconhecer a utilidade e a importância do movimento sindical; apoiar seu desenvolvimento e fazer dele uma das alavancas de sua ação, esforçando-se para que o sindicalismo coopere com as outras forças progressistas na revolução social que suprime as classes, realiza a liberdade, a igualdade, a paz e a solidariedade. Mas seria uma funesta ilusão acreditar, como muitos o fazem, que o movimento operário levará, por si mesmo, em virtude de sua natureza, à revolução. Pelo contrário, todos os movimentos baseados em interesses materiais e imediatos (e um vasto movimento operário não pode ter outras bases) carecem do estímulo, do impulso, da ação conjunta de pessoas que lutam e se sacrificam por um ideal a realizar. Sem essa alavanca, todo movimento tende fatalmente a se adaptar às circunstâncias, engendrando um espírito conservador e o temor das mudanças naqueles que conseguirem melhores condições. Freqüentemente, surgem novas classes privilegiadas que se esforçam para apoiar e consolidar o estado de coisas que nós queremos destruir.

Disso decorre a urgente necessidade de organizações especificamente anarquistas que, dentro e fora dos sindicatos, lutem pela integral realização do anarquismo e procurem esterilizar todos os germes de corrupção e reação. Mas é óbvio que para atingir seus fins, as organizações anarquistas devem, em sua constituição e funcionamento, manter-se em harmonia com os princípios da anarquia. É necessário que não estejam sequer minimamente impregnadas do espírito autoritário, que saibam conciliar a ação livre dos indivíduos com a necessidade e a prazer da cooperação, que desenvolvam a consciência e a iniciativa de seus membros sejam um ativo instrumento educativo no ambiente em que agem, e de uma preparação moral e material para o futuro que desejamos.

O projeto em questão satisfaz essas exigências? Creio que não. Ao invés de estimular nos anarquistas um maior desejo por organização, parece deliberadamente reforçar o preconceito de muitos companheiros que acreditam que organizar-se significa submeter-se a chefes, aderir a um organismo autoritário e centralizador, que sufoca toda livre iniciativa. E, de fato, o projeto contém precisamente essas propostas que alguns, contra a evidência e apesar de nosso protestos, insistem em atribuir a todos os anarquistas qualificados de organizadores.

Examinemos esse projeto. Antes de tudo, parece-me uma idéia falsa (em todo caso, irrealizável) a de reunir todos os anarquistas numa “União Geral” – isto é, como diz o Projeto, UMA SÓ coletividade revolucionária ativa.

Nós, anarquistas, podemos dizer que somos todos do mesmo partido, se pela palavra “partido” entendermos o conjunto dos que estão DO MESMO LADO, que têm as mesmas aspirações gerais, que de uma maneira ou de outra lutam pelo mesmo fim contra adversários e inimigos comuns. Mas isso não significa que seja possível – ou mesmo desejável – estarmos todos reunidos numa só e mesma associação determinada.

Os ambientes e condições de luta diferem muito; os modos possíveis de ação entre os quais se dividem as preferências, as diversidade de temperamentos e as incompatibilidades pessoais para que uma União Geral, mesmo aceita seriamente, não se torne um obstáculo para as atividades individuais, ao invés de um meio para coordenar e totalizar os esforços de todos.

Como, por exemplo, organizar da mesma forma e com o mesmo pessoal uma associação pública para a propaganda e agitação entre as massas, e uma sociedade secreta, forçada pelas condições políticas em que atua, a esconder do inimigo seus planos, métodos e militantes? Como poderiam os educacionistas, que acreditam que a propaganda e o exemplo bastam para a transformação gradual de indivíduos e portanto da sociedade, adotar as mesmas táticas que os insurrecionalistas, convencidos da necessidade de destruir pela violência um estado de coisas que é mantido pela violência, e de criar, contra a violência dos opressores, as condições necessárias para o livre exercício da propaganda e a aplicação prática dos ideais? E como manter juntas pessoas que, por motivos particulares, não se entendem e, no entanto, podem igualmente ser militantes úteis para o anarquismo?

Além disso, os autores do Projeto declaram “inepta” a idéia de criar uma organização reunindo todos os representantes das diversas tendências do anarquismo. Tal organização, eles dizem, “incorporando elementos teórica e praticamente heterogêneos, não seria mais do que um ajuntamento mecânico de indivíduos que têm concepções diferentes sobre todas as questões relativas ao movimento anarquista; esse ajuntamento se desagregaria tão logo eles fossem testados pelos fatos e pela vida real”.

Muito bem! Mas então, se reconhecem a existência de anarquistas de outras tendências, eles deverão deixar-lhes o direito de se organizar como quiserem e de trabalhar pela anarquia da maneira que julgarem melhor. Ou pretenderão excluir do anarquismo, excomungar todos os que não aceitam seu programa? Eles dizem que querem “reunir numa só organização” todos os elementos sadios do movimento libertário. Naturalmente, eles tendem a julgar sadios apenas os que pensam como eles. Então, que farão com os elementos que não são sadios?

Certamente, entre aqueles que se dizem anarquistas existem, como em toda coletividade humana, elementos de diferentes valores. E, o que é pior, existem alguns que, em nome do anarquismo, difundem idéias que muito pouco tem a ver com ele. Mas como evitar isso? ´A verdade anarquista’ não pode e não deve depender das decisões das maiorias reais ou fictícias. Somente é necessário – e suficiente – que todos tenham e exerçam o mais amplo direito de livre crítica e que cada um possa manter suas próprias idéias e escolher seus próprios companheiros. Em última instância, os fatos decidirão quem está certo.

Abandonemos, portanto, a idéia de reunir todos numa única organização, consideremos essa União Geral que os russos nos propõem como o que realmente será: a união de um grupo de anarquistas, e veremos se o modelo organizacional proposto se adapta aos métodos e princípios anarquistas e se ele pode ajudar para o triunfo do anarquismo. Mais uma vez, parece-me que não. Não estou pondo em dúvida o sincero anarquismo dos companheiros russos. Eles querem realizar o comunismo anarquista e procuram fazê-lo o mais rápido possível. Mas não basta apenas querer, é necessário utilizar os meios convenientes; assim, para ir a um determinado lugar deve-se tomar o caminho certo. Ora, sendo a organização proposta tipicamente autoritária, não só não facilitará a vitória do comunismo anarquista, como falsificará o espírito anarquista e resultará no contrário do que esperam seus organizadores.

Efetivamente, essa União Geral consistirá de tantas organizações parciais que serão necessários secretariados para dirigir ideologicamente a tarefas políticas e técnicas, um comitê executivo que encaminhe as decisões tomadas pela União e “dirija” a ideologia e a organização dos grupos em conformidade com a estratégia geral da União.

Isto é anarquismo? Na minha opinião, isto é um governo e uma igreja. É verdade que não há polícia nem baionetas, nem o fiel rebanho disposto a aceitar a ideologia imposta. Mas isso significa apenas que tal governo seria impotente e impossível, e que tal igreja seria uma fonte de heresias e cisões. O espírito e a tendência permanecendo autoritários, o efeito educativo será antianarquista.

Vejam: “O órgão executivo do movimento libertário geral – a união anarquista – adota o princípio da responsabilidade coletiva; toda a União será responsável pela atividade revolucionária e política de cada membro; e cada membro será responsável pela atividade revolucionária e política da união.” E, depois desta absoluta negação de toda independência individual, de toda liberdade de iniciativa e de ação, seus porta-vozes, lembrando-se de que são anarquistas, autodenominam-se federalistas e bradam contra a centralização, cujos resultados inevitáveis, dizem eles, “são a escravização e a mecanização da vida da sociedade e dos partidos.”

Mas se a união é responsável pelo que cada membro faz, como pode deixar, a cada membro em particular e aos vários grupos, a liberdade de aplicar o programa comum da maneira que julgarem a melhor? Como alguém pode ser responsável por uma ação que não pode impedi-la? Portanto, a união e, em seu nome, o Comitê Executivo têm de monitorar todos os membros individuais e ordenar-lhes o que fazer e não fazer. E como a desaprovação depois do fato não atenua a responsabilidade previamente aceita, ninguém poderá fazer qualquer coisa antes de ter obtido a permissão do comitê. Por outro lado, quem assumiria a responsabilidade pelas ações de uma coletividade sem saber o que ela fará e como impedi-la de fazer o que ele desaprova?

Além disso, os autores do Projeto dizem que é a União que propõe e dispõe. Mas, quando se referem à vontade da União, eles se referem também à vontade de todos os membros? Se sim, para a União funcionar seria necessário que todos os membros sempre tivessem a mesma opinião sobre todas as questões. Ora, é normal que todos estejam de acordo com os princípios gerais e fundamentais, sem o que não estariam e permaneceriam unidos, mas isso não permite supor que seres pensantes terão sempre a mesma opinião sobre o que precisa ser feito em diferentes circunstâncias e quanto à escolha de pessoas responsáveis pelas tarefas de dirigir e executar.

Na realidade, como resulta do próprio texto do Projeto, pela vontade da União entende-se apenas a vontade da maioria, expressa através de congressos que nomeiam e controlam o Comitê Executivo e decidem sobre todas as questões importantes. Os congressos seriam compostos por representantes eleitos pela maioria dos membros em cada grupo, e esses representantes decidiriam o que fazer, sempre por maioria de votos. Então, no melhor dos casos, as decisões seriam tomadas pela maioria da maioria, e isso poderia facilmente, em particular quando as opiniões opostas são mais do que duas, representar apenas uma minoria.

Aliás, isso poderia indicar que, nas condições em que os anarquistas vivem e lutam, seus congressos são ainda menos representativos do que os parlamentos burgueses. E seu controle sobre os órgãos executivos, se estes possuem poderes autoritários, raramente é oportuno e eficaz. Na prática, os congressos anarquistas são assistidos por aqueles que desejam e podem, que possuem dinheiro suficiente e não estão impedidos por medidas policiais. Entre os presentes, há os que representam apenas a si próprios ou um número pequeno de amigos, como aqueles que representam as opiniões e desejos de um numeroso coletivo. Apesar das precauções tomadas contra os traidores e espiões – e também por causa dessas precauções – é impossível fazer uma verificação séria dos representantes e do valor de seus mandatos.

De toda maneira, estamos em pleno sistema majoritário, em pleno parlamentarismo. Sabe-se que os anarquistas não aceitam o governo da maioria (democracia), nem o governo de poucos (aristocracia, oligarquia, ditadura de classe ou de partido), tampouco o de um indivíduo (autocracia, monarquia ou ditadura pessoal).

Os anarquistas criticaram milhares de vezes o governo dito da maioria, que na prática sempre leva à dominação de uma pequena maioria. Precisamos repetir tudo isso para nossos companheiros russos?

Alguns anarquistas reconhecem que, na vida em comum, é necessário que a minoria acate a opinião da maioria. Quando há evidente necessidade ou utilidade de fazer uma coisa e isso requer a concordância de todos, a minoria deve respeitar a vontade da maioria. Usualmente, no interesse da convivência pacífica e sob condições de igualdade, é necessário que todos estejam animados por um espírito de concórdia, tolerância e compromisso. Mas tal adaptação deve ser recíproca, voluntária e derivar da consciência da necessidade de não paralisar a vida social por mera teimosia. É um ideal que, talvez, na prática diária da vida social, será difícil de realizar totalmente. Mas um grupo humano está tanto mais próximo da anarquia quanto mais livre e espontâneo é o acordo, imposto somente pela natureza das coisas, entre minoria e maioria.

Portanto, se os anarquistas negam à maioria o direito de governar na sociedade humana em geral – onde os indivíduos estão obrigados a aceitar certas restrições, porque não podem se isolar sem renunciar às condições da vida humana – e se querem que tudo seja feito pelo livre acordo entre todos, como poderiam aceitar o governo da maioria em suas associações essencialmente livres e voluntárias e declarar que se submeterão às decisões da maioria antes mesmo de saber quais serão?

Que a anarquia, organização livre e sem o domínio da maioria sobre a minoria, e vice-versa, seja qualificada, pelos que não são anarquistas, de utopia irrealizável ou realizável apenas num futuro distante, é compreensível. Mas é inconcebível que os mesmos que professam idéias anarquistas e querem realizar a anarquia, ou no mínimo antecipar sua realização – hoje, em vez de amanhã – reneguem os princípios básicos do anarquismo na organização com a qual se propõem a lutar pela sua vitória.

Uma organização anarquista deve, penso eu, ser fundada em bases muito diferentes das propostas pelos companheiros russos. Total autonomia, total independência e, portanto, total responsabilidade de indivíduos e grupos; livre acordo entre os que acreditam ser útil unirem-se para cooperar na obra comum; dever moral de manter os compromissos assumidos e de nada fazer em contradição com o programa aceito. Sobre estas bases, adotem-se as formas práticas, os instrumentos aptos para dar vida à organização: grupos, federações, encontros, congressos, comitês de correspondência etc. Mas tudo isso deve ser feito livremente, de forma que o pensamento e a iniciativa dos indivíduos não sejam obstruídos, e apenas para dar maior eficácia às tentativas que, isoladas, seriam impossíveis ou inoperantes.

Assim, os congressos, numa organização anarquista, mesmo sofrendo enquanto corpos representativos, de todas as imperfeições já mencionadas, estão isentos de todo autoritarismo, porque eles não fazem a lei; não impõem suas resoluções aos outros. Servem para manter e ampliar as relações pessoais entre os companheiros mais ativos, para resumir e incentivar o estudo de programas e meios de ação; para informar sobre a situação das várias regiões e a ação mais urgente em cada uma delas; para formular as diversas opiniões correntes entre os anarquistas e fazer uma espécie de estatística delas, e suas decisões não são regras obrigatórias mas sugestões, recomendações, propostas que serão submetidas a todos os interessados, não devem ser obrigatórias exceto para aqueles que as aceitarem e enquanto as aceitarem. Os órgãos administrativos que nomeiam – comissão de correspondência etc. – não têm poder de direção, não tomam iniciativas a não ser em nome daqueles que pedem e aprovam tais iniciativas, e não têm autoridade para impor suas próprias visões, que podem certamente manter e propagar enquanto grupos de companheiros, mas não podem apresentar como opinião oficial da organização. Publicam as resoluções dos congressos, as opiniões e propostas que os grupos e indivíduos lhes comunicaram; facilitam as relações entre os grupos e a cooperação entre aqueles que concordam com as várias iniciativas, deixando a cada um a liberdade para se corresponder com quem quiser ou usar os serviços de outros comitês nomeados pelos agrupamentos específicos. Numa organização anarquista, os membros individuais podem expressar qualquer opinião e usar qualquer tática que não esteja em contradição com os princípios aceitos e não impeça a atividade dos outros. Em todo caso, uma organização permanecerá enquanto os motivos para a união forem mais fortes do que os motivos para a separação. Senão, a organização se dissolve e é substituída por grupos mais homogêneos. Da duração, da permanência da organização depende o sucesso obtido na longa luta que devemos sustentar. Por outro lado, é toda instituição pretende durar indefinidamente. Mas a duração de uma organização libertária deve ser conseqüência da afinidade espiritual de seus membros e das possibilidades de adaptação de sua constituição às contínuas mudanças das circunstâncias. Quando deixar de ser capaz de efetuar uma tarefa útil, é melhor que ela morra.

Os companheiros russos pensam, talvez, que tal organização, como eu concebo e tem sido realizada, mais ou menos satisfatoriamente, em várias épocas, não é muito eficiente. Eu compreendo. Esses companheiros estão obcecados pelo sucesso dos bolcheviques em seu país; como os bolcheviques, gostariam de reunir os anarquistas numa espécie de exército disciplinado que, sob a direção ideológica e prática de alguns chefes, marcharia compacto para o ataque dos regimes existentes, e que, alcançada a vitória material, dirigiria a construção da nova sociedade. E, talvez, com tal sistema, admitindo-se que os anarquistas se adaptassem a ele e se os líderes fossem homens geniais, nossa força material seria maior. Mas quais seriam os resultados? O que seria do socialismo e do comunismo na Rússia, se não fosse o anarquismo? Esses companheiros estão ansiosos pelo sucesso, nós também. Mas, para viver e vencer, não precisamos abandonar as razões de nossa vida e deformar o caráter da vitória eventual. Nós queremos lutar e vencer, mas como anarquistas e para a anarquia.

E. Malatesta
Il Risveglio (Genova), outubro de 1927.

 


Resposta a ctítica de Malatesta a “Um Projeto de Organização Anarquista”

Nestor Makhno (1928)Querido companheiro Malatesta:

Li sua resposta ao projeto intitulado “Plataforma Organizacional de uma União Geral de Anarquistas“, publicado pelo grupo de anarquistas Russos no exterior. Minha impressão é que você não compreendeu o projeto pela ‘Plataforma’. Ou, então, sua recusa em reconhecer a responsabilidade coletiva na ação revolucionária e a função dirigente que os anarquistas devem assumir decorre de uma profunda convicção sobre o anarquismo que o leva a desconsiderar aquele princípio de responsabilidade.

Todavia, há um princípio fundamental que orienta nossa compreensão da idéia anarquista e nossa determinação de que ela deve penetrar nas massas, com seu espírito de sacrifício. É graças a ele que um homem pode escolher o caminho revolucionário, ignorando os outros. Sem isso, nenhum revolucionário teria a força, a vontade e a inteligência necessárias para agüentar o espetáculo da miséria social e tampouco lutaria contra isso. É com a inspiração da responsabilidade coletiva que os revolucionários de todas as épocas e tendências têm unido suas forças; é nela que eles baseiam suas esperanças de que as revoltas parciais, que abriram o caminho para os oprimidos, não foram em vão, de que os explorados entenderão suas aspirações, extrairiam delas as lições adequadas para a época e as usariam para abrir novos caminhos para sua emancipação.

Você mesmo, querido Malatesta, admite a responsabilidade individual do revolucionário anarquista. E mais, você a apoiou em toda sua vida como militante. Pelo menos, foi assim que eu entendi seus escritos sobre o anarquismo. Mas você nega a necessidade e utilidade da responsabilidade coletiva, embora reconheça as tendências e ações do movimento anarquista como um todo. A responsabilidade coletiva o assusta; então, você a rejeita.

Mesmo tendo adquirido o hábito de encarar frontalmente as realidades de nosso movimento, admito que sua rejeição da responsabilidade coletiva me desorienta, não apenas pela falta de bases mas por ser perigosa para a revolução social, cuja experiência você deveria levar em conta, quando se tornar necessária uma luta decisiva contra todos os nossos inimigos de uma só vez. Então, minha experiência das batalhas revolucionárias do passado me leva a acreditar que, não importa qual seja a sucessão dos eventos revolucionários, alguém precisa assumir a direção ideológica e dar as ordens táticas. Isto significa que apenas um espírito coletivo, sadio e devotado ao anarquismo pode atender às exigências do momento, expressando uma vontade coletivamente responsável. Nenhum de nós tem o direito de escamotear tal responsabilidade. Pelo contrário, se foi até agora ignorada, nas fileiras anarquistas, precisa se tornar já, para nós, anarquistas comunistas, um artigo de nosso programa teórico e prático.

Apenas o espírito coletivo e a responsabilidade coletiva de seus militantes permitirão ao anarquismo moderno eliminar de seus círculos a idéia, historicamente falsa, de que o anarquismo não pode ser um guia – seja ideologicamente, seja na prática – para a massa trabalhadora num período revolucionário, e portanto não poderia exigir a responsabilidade total.

Não irei, nesta carta, alongar-me sobre as outras partes de seu artigo contra o projeto de Plataforma, no qual você vê `uma igreja e uma autoridade sem polícia’. Expressarei apenas minha surpresa por vê-lo usar tal argumento no curso de sua crítica. Tenho pensado muito a respeito e não posso aceitar sua opinião. Não, você não está certo. E porque não estou de acordo com sua resposta, usando argumentos demasiado levianos, acredito que tenho o direito de lhe perguntar:

  1. O anarquismo deve assumir alguma responsabilidade na luta dos trabalhadores contra seus opressores, o capitalismo, e o Estado? Se não, você pode dizer por quê? Se sim, devem os anarquistas agir para que seu movimento exerça influência nas mesmas bases que a ordem social existente?
  2. Pode o anarquismo, no estado atual de desorganização em que se encontra, exercer qualquer influência, ideológica ou prática, em assuntos sociais e na luta da classe operária?
  3. Quais são os meios que o anarquismo deve adotar fora da revolução e quais são os meios que ele pode utilizar para provar e afirmar seus conceitos construtivos?
  4. O anarquismo precisa de organizações permanentes, intimamente ligadas entre si pela unidade de objetivos e de ação para alcançá-los?
  5. O que querem os anarquistas dizer com ´instituições para serem estabelecidas´, numa visão que garanta o livre desenvolvimento da sociedade?
  6. Pode o anarquismo, na sociedade comunista que concebe, passar sem instituições sociais? Se sim, como? Se não, quais deveriam reconhecer e usar, e com que nomes levá-las a existir? Devem os anarquistas assumir uma função de liderança e, portanto, de responsabilidade, ou devem se limitar a ser auxiliares irresponsáveis?

Sua resposta, querido Malatesta, é de grande importância para mim por dois motivos. Permitirá que eu compreenda melhor sua maneira de ver as questões pertinentes à organização das forças anarquistas e ao movimento em geral. E, sejamos francos, sua opinião é aceita imediatamente pela maioria dos anarquistas e simpatizantes, sem discussão, como a de um militante experiente que tem, ao longo de toda sua vida, permanecido firme em sua fidelidade ao ideal libertário. Portanto, dependerá em certa medida de sua atitude, seja um amplo estudo das urgentes questões que esta época propõe ao nosso movimento, seja uma desaceleração ou um novo salto adiante. Permanecendo na estagnação do passado e do presente, nosso movimento não ganhará nada. Pelo contrário, é vital que, na visão dos eventos que surgem diante de nós, ele deva ter toda chance de cumprir suas funções.

Eu dou muita importância a sua resposta.

Saudações Revolucionárias

Nestor Makhno

 


Resposta de Malatesta a Makhno.

Errico Malatesta

  Querido companheiro:

Finalmente, recebi a carta que você me enviou, há mais de um ano, sobre minha crítica ao Projeto de organizar uma União Geral de anarquistas, publicado por um grupo de anarquistas russos no exterior e conhecido em nosso movimento pelo nome de ‘Plataforma’.

Conhecendo minha situação, você certamente terá compreendido porque não respondi. Eu não posso tomar parte, como gostaria, na discussão das questões que mais nos interessam, porque a censura me impede de receber publicações que são consideradas subversivas ou cartas que abordam tópicos políticos e sociais. Apenas depois de longos intervalos e por um feliz acaso, eu ouço o agonizante eco do que os companheiros dizem e fazem. Portanto, eu sabia que a “Plataforma” e minha crítica a ela haviam sido amplamente discutidas, mas pouco ou nada sabia do que havia sido dito; sua carta é o primeiro documento sobre o assunto que eu consegui ver.

Se pudéssemos nos corresponder livremente, eu lhe pediria, antes de entrar na discussão, para esclarecer suas visões que, talvez pertencendo a uma tradução imperfeita do russo para o francês, parecem para mim estar em parte alguma coisa obscura. Mas, as coisas sendo como são, responderei o que tenho compreendido, e espero que então seja capaz de ver sua resposta. Você está surpreso porque eu não aceito o princípio da responsabilidade coletiva, que você acredita ser o princípio fundamental que guia e deve guiar os revolucionários do passado, presente e futuro. De minha parte, imagino o que a noção de responsabilidade coletiva pode significar nos lábios de um anarquista. Eu sei que os militares tem o hábito de dizimar soldados rebelados ou que reagiram mal diante do inimigo, atirando neles indiscriminadamente. Eu sei que os chefes de exército não têm escrúpulos em destruir vilarejos ou cidades e massacrar uma população inteira, incluindo crianças, porque alguém tentou resistir à invasão. Eu sei que, através dos tempos, os governos têm de várias maneiras ameaçado com e aplicado o sistema da responsabilidade coletiva para colocar um freio nos rebeldes, exigir impostos etc. E compreendo que isso poderia ser um meio efetivo de intimidação e opressão. Mas como, pessoas que lutam por liberdade e justiça, podem falar de responsabilidade coletiva quando elas podem apenas estar relacionadas com a responsabilidade moral, haja ou não punições materiais em seguida?!!!

Se, por exemplo, num conflito com uma força inimiga armada, o homem ao meu lado age como um covarde, ele talvez faça mal para mim e para todos, mas a vergonha pode ser apenas dele por faltar-lhe a coragem de manter a função que escolheu para si mesmo. Se, numa conspiração, um conspirador trai e seus companheiros são presos, os traídos são responsáveis pela traição?

A ‘Plataforma’ diz: `Toda a União é responsável pela atividade revolucionária e política de cada membro e cada membro será responsável pela atividade revolucionária e política da União.’ Pode-se conciliar isto com os princípios da autonomia e da livre iniciativa que os anarquistas professam? Eu respondo, então: `Se a união é responsável pelo que cada membro faz, como pode deixar a seus membros individuais e aos vários grupos a liberdade de aplicar o programa comum da maneira que julgarem conveniente? Como pode ser responsável por uma ação quem não possui os meios de preveni-la? Portanto, a União e através dela o comitê Executivo precisariam monitorar a ação dos membros individuais e ordenar-lhes o que fazer e o que não fazer; e uma vez que a desaprovação após o evento não isenta da responsabilidade previamente aceita, ninguém poderia fazer qualquer coisa antes de obter a permissão do comitê. E então, pode um indivíduo aceitar ser responsável pela ação de uma coletividade antes de saber o que ela fará e se ele não pode impedi-la de fazer o que ele desaprova?’

Certamente, eu aceito e apóio a visão de que qualquer um que se associa e coopera com outros por uma causa comum deve: coordenar suas ações com a de seus companheiros e não fazer nada que prejudique o ação dos outros e, portanto, a causa comum; respeitar os acordos feitos – exceto quando pretendem deixar a associação por diferenças de opinião, mudança de circunstâncias ou conflito sobre métodos escolhidos tornam a cooperação impossível ou imprópria. Assim, eu sustento que aqueles que não sentem nem praticam tais deveres têm de ser expulsos da associação.

Talvez, falando de responsabilidade coletiva, você se refira precisamente ao acordo e à solidariedade que devem existir entre os membros de uma associação. Se é assim, sua expressão significa, na minha visão, um uso incorreto de linguagem, mas isso seria apenas uma questão irrelevante de fraseologia e logo alcançaríamos a concordância.

A questão realmente importante que você levanta em sua carta diz respeito à função (´o papel´) dos anarquistas no movimento social e ao modo como querem desempenhá-la. Esta é uma questão de base, da razão de ser do anarquismo e é preciso ter bem claro o que o outro quer dizer.

Você pergunta se os anarquistas deveriam (no movimento revolucionário e na organização comunista da sociedade) assumir um papel dirigente e portanto responsável, ou se limitar a serem auxiliares irresponsáveis. Sua pergunta me deixa perplexo, porque lhe falta precisão. É possível dirigir através do conselho e exemplo, deixando as pessoas – com as oportunidades e meios de abastecer suas próprias necessidades por si mesmas – adotarem nossos métodos e soluções se estes são, ou parecem ser, melhores do que aqueles sugeridos e levados por outros. Mas também é possível dirigir assumindo o comando, ou seja, tornando-se um governo e impondo as próprias idéias e interesses através de métodos policiais.

De que maneira você quer dirigir? Nós somos anarquistas porque acreditamos que o governo (qualquer governo) é um mal, e que não é possível obter liberdade, solidariedade e justiça sem liberdade. Não podemos, pois, querer governar e devemos fazer todo o possível para impedir que outros – classes, partidos ou indivíduos – assumam o poder e tornem-se governos.

A responsabilidade dos líderes, a noção pela qual me parece que você quer garantir que a população esteja protegida de seus abusos e erros, não significa nada para mim. Quem está no poder não é verdadeiramente responsável exceto quando defrontado com a revolução. E não podemos fazer a revolução todos os dias, geralmente ela acontece depois de o governo já ter feito todo o mal que pode.

Você entenderá que eu estou longe de pensar que os anarquistas deveriam satisfazer-se em serem simples auxiliares de outros revolucionários, que, não sendo anarquistas, naturalmente aspirariam a tornar-se o governo. Pelo contrário, eu acredito que nós, anarquistas, convencidos da validade de nosso programa, devemos nos esforçar para adquirir uma enorme influência e atrair o movimento para a realização de nossos ideais. Mas tal influência deve ser obtida fazendo mais e melhor do que os outros, e será útil apenas se a obtivermos dessa forma.

Hoje, devemos aprofundar, desenvolver e propagar nossas idéias e coordenar nossas forças numa ação comum. Devemos agir com o movimento operário para preveni-lo de ser limitado e corrompido pela busca de reformas compatíveis com o sistema capitalista; e devemos contribuir para preparar uma completa transformação social. Devemos atuar com as massas desorganizadas e mesmo com os inorganizáveis, despertando o espírito de revolta e o desejo de uma vida livre e feliz. Nós devemos iniciar e apoiar todos os movimentos que tendem a enfraquecer o Estado e o capitalismo e a elevar o nível mental e as condições materiais dos trabalhadores. Devemos, em resumo, preparar e nos preparar , moral e materialmente, pelo ato revolucionário que abrirá o caminho para o futuro.

Então, na revolução, devemos ser parte enérgica (se possível antes e mais eficazmente do que os outros) na essencial luta material e dirigi-la ao limite máximo, destruindo todas as forças repressivas do Estado. Devemos encorajar os trabalhadores a apossar-se dos meios de produção (terra, minas, fábricas e oficinas, meios de transporte etc.) e estoques de bens manufaturados; organizar imediatamente, por si mesmos, uma distribuição eqüitativa dos bens de consumo, e ao mesmo tempo suprir os produtos para troca entre comunas e regiões, para a continuação e intensificação da produção e de todos os serviços úteis à população. Devemos – de todas as maneiras possíveis e de acordo com as circunstâncias e oportunidades locais – promover a associação dos trabalhadores, as cooperativas, os grupos voluntários, para evitar o aparecimento de novos poderes autoritários, novos governos, opondo-nos a eles com violência se necessário, mas acima de tudo tornando-os inúteis. E onde não houver consenso suficiente entre as pessoas e não pudermos evitar o restabelecimento do Estado, com suas instituições autoritárias e seus órgãos violentos, devemos nos recusar tomar parte ou reconhecê-lo, rebelando-nos contra suas imposições e exigindo total autonomia para nós e todas as minorias dissidentes. Em outras palavras, devemos permanecer num estado atual ou potencial de rebelião e, incapazes de vencer no presente, devemos no mínimo nos preparar para o futuro.

É isso o que você também quer dizer quanto ao papel dos anarquistas na preparação e na realização da revolução? Pelo que sei de você e de sua atuação, estou inclinado a acreditar que sim. Mas, quando vejo que na União que você apóia existe um Comitê Executivo para dar direção ideológica e organizacional para a associação, assalta-me a dúvida de que vocês também gostariam de ter, no movimento geral, um corpo central que ditaria de uma maneira autoritária o programa teórico e prático da revolução.

Se é assim, nós somos pólos separados.

Sua organização, ou seus órgãos administrativos, podem ser compostos por anarquistas mas eles apenas se tornariam nada mais do que um governo. Acreditando, em completa boa fé, que são necessários para o triunfo da revolução, eles iriam, prioritariamente, deixar claro de que estão bem colocados o suficiente e fortes o bastante para impor sua vontade. Portanto, criariam corporações armadas para a defesa material e uma burocracia para encaminhar suas decisões; e, no processo, paralisariam o movimento popular e matariam a revolução.

Foi isso, acredito, o que aconteceu com os bolcheviques.

Acredito que o mais importante não é a vitória de nossos planos, nossos projetos, nossas utopias, que em qualquer caso precisam de confirmação e podem ser modificados pela experiência, desenvolvidos e adaptados para as reais condições, morais e materiais, da época e do lugar. O mais importante é que as pessoas, homens e mulheres, percam os instintos e hábitos de rebanho, que lhes foram inculcados em milhares de anos de escravidão, e aprendam a pensar e atuar livremente. Este é o grande trabalho de libertação moral a que os anarquistas devem especialmente se dedicar.

Agradeço-lhe pela atenção que tenha dado à minha carta e, na esperança de ouvi-lo mais tarde, envio-lhe meus cordiais cumprimentos.

E. Malatesta
Risveglio (Genova), Dezembro de 1929

 


A Propósito da “Responsabilidade Colectiva”

Errico Malatesta

(Studi sociali, 10 de julho de 1930)

Traduzimos aqui abaixo uma carta de E. Malatesta ao grupo anarquista do 18° distrito urbano de Paris, escrita em Março ou em Abril passado e publicada em Le Libertaire de Paris, n° 252, de 19 de Abril, corrente ano. Com esta carta Malatesta reconfirma a sua opinião sobre o conceito de “responsabilidade colectiva” das organizações, sobre a qual então (anteriormente ao último congresso dos anarquistas franceses organizados) se fazia no Libertaire uma discussão acalorada (Nota da redacção de Studi sociali.)

* * *

Vejo uma declaração do grupo do XVIII°, em que se defende, de acordo com a “Plataforma” dos russos e com o companheiro Makhno, que “o princípio da responsabilidade colectiva” é a base toda e qualquer organização séria.

Eu já tinha dito, na minha crítica à “Plataforma” e na resposta à carta aberta recebida de Makhno, qual é a minha opinião sobre este pretenso princípio. Mas visto que se insiste numa ideia, ou pelo menos numa expressão, que me parece mais apropriada numa caserna do que num grupo anarquista, se me for permitido, espero dizer ainda algumas palavras sobre esta questão.

Os companheiros do XVIII° dizem que “os anarquistas comunistas devem tender a que a sua influência se exerça com a maior probabilidade de sucesso e não obterão tal resultado senão na medida em que a sua propaganda se desenvolva de modo colectivo, permanente e homogéneo”. De acordo! Mas ao que parece, tal não ocorre; pois os companheiros lamentam que “em nome da mesma organização aos quatro cantos da França se difundem as teorias mais diversas, ao fim e ao cabo, mais opostas”. Isto é muito deplorável, mas significa simplesmente que esta organização não possui um programa claro e preciso, compreendido e aceite por todos os seus membros e que no seu seio se encontram, confundidos debaixo de uma etiqueta comum, pessoas que não têm as mesmas ideias e que deveriam agrupar-se em organizações diversas ou ficarem isolados se não encontrassem quem pensasse como elas.

Se, como dizem os companheiros do XVIII°, a U.A.C.R. (3) não faz nada para estabelecer um programa aceite por todos os seus membros e para se colocar em postura de poderem agir juntos nas situações que se apresentam, se, em suma, a U.A.C.R. tem falta de preparação, de coesão, de acordo, aqui está a raiz do seu mal e é isso que é preciso remediar. E não se remediará em nada proclamando uma “responsabilidade colectiva” que, se não é submissão cega de todos à vontade de alguns, é um absurdo moral em teoria e, na prática, a irresponsabilidade geral.

Mas talvez isto tudo não seja mais do que uma questão de palavras.

Já na minha resposta a Makhno eu dizia: “Pode acontecer que, falando de responsabilidade colectiva, vós entendeis o acordo e a solidariedade que devem existir entre os membros de uma associação. E se é assim, a vossa expressão seria, a meu ver, um uso impróprio de linguagem, mas no fundo tratar-se-ia apenas de uma questão de palavras e estaríamos próximos de um entendimento”.

E agora, ao ler aquilo que dizem os companheiros do XVIII° eu vejo-me em acordo substancial com a sua maneira de conceber a organização anárquica (muito longe do espírito autoritário que a “Plataforma” parecia revelar) e estou vendo confirmada a minha esperança de que sob diferenças de linguagens se encerra verdadeiramente uma identidade de propósitos.

Mas se tal é assim, porque insistir numa expressão que é contrária ao objectivo de clarificação e que é uma das causas do mal-estar provocado pela “Plataforma”? Porque não falar como todos os outros, de modo a serem compreendidos e a não criar equívocos? 

A responsabilidade moral (pois no nosso caso não pode senão tratar-se de responsabilidade moral) é individual pela sua própria natureza. Apenas o espírito de dominação, nas suas diversas manifestações políticas, militares, eclesiásticas, etc., pode ter considerado responsáveis homens por aquilo que estes não fizeram voluntariamente. 

Se entre homens que se puseram de acordo para fazer alguma coisa, algum destes, faltando ao seu compromisso, faz fracassar a iniciativa, todos dirão que é ele o culpado e portanto o responsável, e não aqueles que fizeram até ao fim tudo o que deviam fazer.

De novo, falemos como todos os outros; procuremos fazer-nos entender de todos e talvez assim encontremos menos dificuldade na nossa propaganda.


NOTAS:

1) Nestor Makhno (1889-1934), revolucionário e organizador do exército guerrilheiro na Ucrânia (1918-1921), venceu o exército branco mas foi derrotado pelo exército vermelho de Trotsky. Conseguiu escapar e passou o resto de sua vida em Paris. Foi um dos autores da “Plataforma”.

2) Parece que Makhno respondeu essa carta. Um companheiro da A.C.F. (atual A.F.) britânica traduziu-a para o inglês, mas até agora ela ainda não foi publicada em lugar nenhum.

3) L’Union Anarchiste Communiste Révolutionnaire

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3º Fórum Geral Anarquista – Brasil 2017 – 3º Comunicado

Programação temporária 3º FGA|Campinas – São Paulo – Brasil – 16, 17, 18 de junho, 2017. Coletivos e organizações confirmadas.

Saudações livres a todas as pessoas!

Agradecemos a todas as pessoas que tem contribuído para que o 3º FGA aconteça, seja através da divulgação das formas diversas, seja através da inscrição, agradecemos muito!

Segue a programação para o evento, sujeita a alterações (mas não muitas) e lembramos a necessidade de inscrição para todas que precisem de alimentação/alojamento e o valor proposto antecipado é de R$ 100,00 para todos os dias (mais informações através fenikso@anarkio.net).

Não haverá venda de refeições avulsas no espaço!

E haverá poucos lugares para alimentação vegetariana/vegana, pois será um feriado prolongado.

Orientamos as pessoas que tragam seus sacos de dormir ou colchonete ou algo que possa se aconchegar nos alojamentos, também barracas serão bem vindas!

A considerar: A época é fria na região de Campinas/SP!

Para quem vem da rodoviária de Campinas, o caminho sugerido é:

– Pegar a R. Dr. Ricardo e seguir até a Rua Benjamin Constant;

-Rua Benjamin Constant até a Av. Senador Saraiva, ir aos pontos de ônibus em frente do Extra. Ver onde para o ônibus 161-Souza Queiroz, pois é esse que passa na frente da Associação (Rua Mogi Mirim 1080- Jd. Novo Campos Eliseos), peça ao motorista para parar no ponto da Associação do Moradores do Jd. Novo Campos Eliseos.

Entrem em contato para combinar, tirar dúvidas … fenikso@anarkio.net

Agradecemos novamente!!!

SEXTA FEIRA – 16/06

 

Manhã

Manhã

8:00h

Recepção, Hospedagem, Café da manhã

– Pães caseiros / pão francês
– Pastas: babaganush, humus, geléia de fruta, creme de amendoim.
– Frutas da estação
– Café, chás, leite vegetal

9:30h

Abertura

10:00h

 

Mesa 1 – Anarquismo com as práticas da comunidade:

Fenikso Nigra, El Libertário, Coletivo Aurora Negra.

12:00h

 

Almoço – Yakisoba.

Bebidas nas refeições: água e sucos de maracujá e caju.

Tarde

 

Tarde

13:30h

 

Grupos de discussão 1 .

1- 40 anos do Inimigo do Rei: Carlos Baqueiro

2 – Horta comunitária: Idilio/Fenikso Nigra

3 – Anarquismo em Portugal hoje: Sílvia e Mario Rui

4 – Cursinhos Livres: Cursinho Livre da Lapa – SP

16:00h

 

Intervalo

17:00h

 

Mesa 2 -100 anos da Greve Geral de 1917:

Antonio Carlos de Oliveira, professor de historia e do Centro de Cultura Social – SP (CCS-SP)

Noite

 

Noite

19:00h

 

Jantar

Hamburguer de falafel com Fritas

Bebidas nas refeições: água e sucos de maracujá e caju.

20:00h

Roda de conversa 1 – Anarquismo: resistência e luta etnoracial na

América Latina.

 

 

SÁBADO – 17/06

Manhã Manhã
8:00h Café da manhã

– Pães caseiros / pão francês
– Pastas: babaganush, humus, geléia de fruta, creme de amendoim.
– Frutas da estação
– Café, chás, leite vegetal

9:30h Roda de Conversa 2 – Amor livre: gêneros e sexualidades hoje.
12:00h

 

Almoço – Arroz, bobó de shimeji, salada mista.

Bebidas nas refeições: água e sucos de maracujá e caju.

Tarde

 

Tarde
13:30h

 

Grupos de discussão 2

1- Cooperativa e autogestão: Marcelo Freire /Fenikso Nigra

2- PIXO. Luis Carioca/Fenikso Nigra

3- Anarquismo e sindicalismo hoje. LIGA/Fenikso Nigra

4- 18 anos de “poder popular”: limites, alcance e presença anarquista na Venezuela: Rodolfo Montes de Oca.

16:00h

 

Intervalo
17:00h

 

Roda de Conversa 3 – Federalismo Anarquista no século XXI: desafios,

projetos e práticas.

Noite

 

Noite
19:00h

 

Jantar – Sopas e cremes. Sucos

Inicio do 8º Sarau Aberto

20:00h Sarau da Associação
 

DOMINGO – 17/06

Manhã Manhã
8:00h Café da manhã

– Pães caseiros / pão francês
– Pastas: babaganush, humus, geléia de fruta, creme de amendoim.
– Frutas da estação
– Café, chás, leite vegetal

9:30h Mesa 3100 anos da revolução russa: Cristina Dunaeva

(Professora/Pesquisadora UNB), Rene Berthier

(Federação Anarquista – França)

12:00h

 

Almoço – Churrasco vegetariano, trouxinhas de legumes
Bebidas nas refeições: água e sucos de maracujá e caju.
Tarde

 

Tarde
13:30h

 

Roda de Conversa 4 – América Latina e Europa: nacionalismo, crise da

globalização e criminalização das lutas sociais.

16:00h

 

Encerramento

17:00h

 

Partida

!Considerar: A época é fria na região de Campinas/SP!

Coletivos e Organizações confirmadas até o momento:

Alemanha – Federação Anarquista;

Argentina – Federação Libertária;

Espanha/Portugal – Federação Anarquista Ibérica (FAI)

França – Federação Anarquista;

Grã Bretanha – Federação Anarquista;

Grécia – – Federação Anarquista;

México – Federação Anarquista;

Portugal – Editora Barricada Livros

Venezuela – El Libertário;

Chile –FALV/ALSI

Realizadora:

Brasil – Iniciativa Federalista Anarquista

(Coletivo Anarkopunx Aurora Negra, Fenikso Nigra, LIGA,NELCA)

Viva a anarquia!!!

Espanhol

(Tradução de El Libertário)

Brasil: 3° Fórum Geral Anarquista, junio 2017, Campinas, São Paulo

Iniciativa Federalista Anarquista

* Programación provisional del 3°Amér FGA, a realizarse en la ciudad de Campinas, São Paulo, los días 16, 17 y 18 de junio de 2017 (en la sede de la Associação do Moradores do Jd. Novo Campos Eliseos).

¡Saludos libertarios a todas y todos!

Agradecemos a todas las personas que han contribuido para que el 3º FGA se realice, sea a través de la divulgación del evento, sea de otras formas diversas, sea a través de la inscripción para participar, ¡lo agradecemos mucho!

Sigue la programación para el evento, aun sujeta a cambios (esperamos que no muchos) y recordamos la necesidad de inscribirse para todas las personas que requieran de alimentación/alojamiento, siendo el costo propuesto y de pago anticipado de R$ 100,00 para todos los dias (mas informaciones a través del mail fenikso@anarkio.net).


¡No habrá venta de comidas individuales en el espacio donde se realizara el evento!

Advertimos que habrá pocos lugares para alimentacipon vegetariana/vegana, pues será un feriado prolongado.

Pedimos a las personas que traigan sus sacos de dormir, colchonetas o algo que puedan desplegar para su reposo en los alojamientos, también las tiendas de campaña serán bienvenidas.

A tener en cuenta: La época del año es fría en la región de Campinas/SP.

Para quienes vienen desde la carretera de Campinas, el camino sugerido es:

– Tomar la Rua Dr. Ricardo y seguir hasta la Rua Benjamin Constant;n
-Rua Benjamin Constant hasta la Av. Senador Saraiva, ir a las paradass de omnibús em frente del Extra. Ver donde para el omnibús 161-Souza Queiroz, pues es ese el que pasa por el frente de la Associação do Moradores do Jd. Novo Campos Eliseos (Rua Mogi Mirim 1080- Jd. Novo Campos Eliseos), pida al conductor para que se detenga en la parada de la Associação do Moradores do Jd. Novo Campos Eliseos.

Entren en contacto para ponernos de acuerdo, plantear dudas … fenikso@anarkio.net

¡¡¡Agradecemos nuevamente!!!

VIERNES – 16/06

Mañana
8:00h     Recepción, Hospedaje, Café de la mañana
– Pães caseiros / pão francês
– Pastas: babaganush, humus, geléia de fruta, creme de amendoim.
– Frutas da estação
– Café, te, leche vegetal

9:30h Apertura

10:00h  Mesa 1 – Anarquismo con las prácticas de comunidad: Fenikso Nigra, El Libertário, Coletivo Aurora Negra.

12:00h  Almuerzo – Yakisoba.
Bebidas nas refeições: água e sucos de maracujá e caju.

Tarde
13:30h  Grupos de discusión 1 .
1- 40 años de Inimigo do Rei: Carlos Baqueiro
2 – Huerta comunitaria: Idilio/Fenikso Nigra
3 – Anarquismo en Portugal hoy: Sílvia e Mario Rui
4 – Cursinhos Livres: Cursinho Livre da Lapa – SP

16:00h  Intermedio

17:00h  Mesa 2 -100 anos de la Huelga General de 1917: Antonio Carlos de Oliveira, profesor de historia y del Centro de Cultura Social – SP (CCS-SP)

Noche
19:00h  Cena – Hamburguesa de falafel com Fritas. Bebidas nas refeições: água e sucos de maracujá e caju.

20:00h     Rueda de conversa 1 – Anarquismo: resistencia y lucha etnoracial en América Latina.

SÁBADO – 17/06

Mañana
8:00h     Café de la mañana
– Pães caseiros / pão francês
– Pastas: babaganush, humus, geléia de fruta, creme de amendoim.
– Frutas da estação
– Café, te, leche vegetal

9:30h     Rueda de Conversa 2 – Amor libre: gêneros y sexualidades hoy.

12:00h  Almuerzo – Arroz, bobó de shimeji, salada mista. Bebidas nas refeições: água e sucos de maracujá e caju.

Tarde
13:30h
Grupos de discusión
1- Cooperativa y autogestión: Marcelo Freire /Fenikso Nigra
2- PIXO. Luis Carioca/Fenikso Nigra
3- Anarquismo y sindicalismo hoy. LIGA/Fenikso Nigra
4- 18 años de “poder popular”: límites, alcance y presencia anarquista en Venezuela: Rodolfo Montes de Oca.

16:00h     Intermedio

17:00h  Rueda de Conversa 3 – Federalismo Anarquista no século XXI: desafios, projetos e práticas.

Noite
19:00h  Cena – Sopas y cremas. Jugos

Inicio del 8º Sarau Aberto
20:00h     Sarau de la Associação

DOMINGO – 17/06

Mañana
8:00h     Café de la mañana
– Pães caseiros / pão francês
– Pastas: babaganush, humus, geléia de fruta, creme de amendoim.
– Frutas de estación
– Café, te, leche vegetal

9:30h     Mesa 3 – 100 años de la revolución rusa: Cristina Dunaeva (Profesora/investigadora UNB), Rene Berthier (Federação Anarquista – Francia)

12:00h     Almuerzo – Churrasco vegetariano, trouxinhas de legumbres
Bebidas nas refeições: água e sucos de maracujá e caju.

Tarde
13:30h  Rueda de Conversa 4 – América Latina y Europa: nacionalismo, crisis de la globalización y criminalización de las luchas sociales.

16:00h  Cierre del evento

17:00h  Despedida

!Considerar: A época é fria na região de Campinas/SP!

Coletivos e Organiciones hasta el momento:

Alemanha – Federação Anarquista;

Argentina – Federação Libertária;

Espanha/Portugal – Federação Anarquista Ibérica (FAI)

França – Federação Anarquista;

Grã Bretanha – Federação Anarquista;

Grécia – – Federação Anarquista;

México – Federação Anarquista;

Portugal – Editora Barricada Livros

Venezuela – El Libertário;

Chile –FALV/ALSI

Realizadora:

Brasil – Iniciativa Federalista Anarquista

(Coletivo Anarkopunx Aurora Negra, Fenikso Nigra, LIGA,NELCA)

Viva a anarquia!!!

 

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Primeiro de Maio é dia de Luto e Luta!

Periódico da Liga Anarquista do Rio de Janeiro

Especial de Primeiro de Maio de 2017

Luta contra a exploração e Luto pela morte de trabalhadores e trabalhadoras que tombaram por uma nova sociedade!

Esse Primeiro de Maio de 2017, além de lembrar dos anarquistas mortos na manifestação de 1886 nos Estado Unidos pelas 8 horas de trabalho, queremos  reafirmar que esse dia não é um dia de festa e sim de Luto e Luta! Também deixar claro posições críticas que acreditamos ser necessárias para avançarmos na luta e na organização social visando uma nova sociedade.

No dia 28 de abril tivemos mais uma vez a oportunidade de refletir e agir sobre nossa realidade brasileira de exploração dos poderosos e da ganância dos reformistas do Estado. Por um lado movimentos sindicais e populares críticos, tanto ao governo Temer como a estrutura sindical viciada, que querem um novo modelo sindical de base, uma nova organização horizontal com democracia direta, autogestão e ação direta. Do outro, os que defendem o imposto sindical, as reformas do Estado para distribuir migalhas para a população e a representação política partidária como solução e saída da crise política, econômica e social do Brasil. Esse modelo velho, viciado e carcomido pelo tempo, que é responsável pela desorganização dos trabalhadores nos últimos decênios em troca do poder político e seus luxos. Modelo sindical que nunca favorece as decisões diretas dos trabalhadores que compõem os sindicatos, apenas perpetuam um bando de mandatários em suas diretorias objetivando ganhos pessoais.

Neste espetáculo de horrores a polícia – com todo o aparato repressor montado e equipado pelos reformistas que estavam nas administrações (municípios, estado e governo federal) ou ainda estão – atacou qualquer um que estivesse próximo às ruas em que ocorriam as manifestações.  Novamente, alguns tentaram conversar e apelar pelo bom senso da polícia para que ela não atacasse os manifestantes e apenas os “vândalos” e os anarquistas – sempre suspeitos de tudo. A traição aconteceu na manifestação e veio pelos que perderam o mel do poder somado pelos que desejam essa “boquinha” para se lambuzar.  No final, sobrou bombas e balas de borracha para todos, ainda enriquecidas pelas cenas de policiais empunhando armas letais, agredindo pessoas idosas, causando lesões em manifestantes como o traumatismo craneano no estudante de Goiás.

A luta deve ser intensa nos próximos meses e anos, pois o que sobrou do sonho do PT de perpetuação no poder junto com seu aliado PMDB, tornou-se o pior dos pesadelos da classe trabalhadora. Com a desculpa de falta de recursos e da crise econômica mundial Temer, PMDB, PSDB, DEM e outros partidos querem ACABAR com a Previdência Social, os direitos trabalhistas. Com isso criar um dos piores cenários mundiais que irá beneficiar os empresários e o sistema financeiro aumentando seus lucros e acabando com leis de proteção e dos direitos dos trabalhadores.

Esses empresários e o especuladores financeiros, em seu formato de corporações, querem tomar o petróleo, a água, o gás, os minérios, a produção de energia elétrica, a telefonia, para impor preços absurdos, não serem responsabilizadas por nada (como o desastre de Mariana em que pessoas perderam a vida e suas casas – a Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR não sofreram nenhuma punição real até hoje!) e a população vai pagar o pato e não os empresários, os políticos, os partidos, os juízes, os empreiteiros, etc.

Ah, não se enganem, parte dessas reformas impopulares começaram no governo Lula/Dilma como a reforma da previdência dos servidores públicos que forçam a adesão a um plano de previdências privado; a venda de setores estratégicos da economia como a Petrobras; o Ajuste fiscal; o início da discussão da Lei de terceirização; entre outros pacotes de maldades contra os trabalhadores. Além da farra de gastos na Copa do Mundo e nas Olimpíadas que não deixaram nenhum “legado” para a sociedade. Então, é simples, muito do que estamos vivendo já estava sendo gestado desde os governos de Fernando Henrique Cardoso (Isso, desde os anos 1994), a diferença foi como o remédio era misturado com muito ou pouco açúcar, o que temos certeza neste momento é de a quem caberá a execução do pacote de maldade ao Temer do PMDB ex-aliado do PT e se ele sair, ao DEM, com Rodrigo Maia.

A solução para esse problema é nossa organização! Organização horizontal, sem líderes que almejem uma vaga nas próximas eleições de vereador, deputado, senador, prefeito, governador, presidência da república. Isso Mesmo, pensou certo, NÃO precisamos de políticos e seus partidos! Precisamos da autogestão para construir uma nova sociedade sem exploradores, sem patrões, sem políticos, sem partidos. E o que é a autogestão? É a proposta de organização social em que podemos (já hoje e não amanhã) comandar nossas vidas, nossa rua, o bairro, a favela e a cidade, onde trabalhamos, junto com nossos iguais trabalhadores e desempregados. Organizados sabemos o que é necessário produzir, tanto para as necessidades que garantam nosso bem estar, conforto e segurança como as nossas necessidade de alimentação.  Organizados decidimos tudo em processos horizontais e não verticais. Você já pensou o quanto de tudo que é produzido é desperdiçado? Desde alimentos básicos até roupas são desperdiçados para manter a ganância e a fome, com isso trabalhadores, desempregados e precarizados vivemos como escravos de um salário miserável.

Sozinhos somos impotentes, mas juntos e organizados resistimos e concretizaremos uma nova sociedade sem partidos, sem patrões, onde todos crescem juntos e ninguém passa fome!

 Viva o Primeiro de Maio de 2017, Dia de Luto e Luta!!!

Políticos e elite sindical não nos representam!!!

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Greve Geral: 28 de abril de 2017.

Os integrantes da Liga Anarquista no Rio de Janeiro estarão ao lado das pessoas trabalhadoras e desempregadas no dia 28 de abril participando e fortalecendo a Greve Geral contra as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo atual governo do PMDB, e que seguem em curso no congresso nacional do Brasil.

Nós consideramos que os trabalhadores nas ruas, parando a produção, os serviços, os transportes, na cidade do Rio de Janeiro e em todo o país, podem cancelar estas reformas contra as pessoas trabalhadoras e desempregadas.

Tais reformas são a declaração de guerra contra aqueles que geram as riquezas: nós trabalhadores. A retirada de direitos básicos nas relações de trabalho que já são favoráveis aos patrões, empresários e bancos agora agrava-se contra nós gente trabalhadora e nos impõe injustiças e explorações semelhantes às vividas nos idos do inicio do século XX. Quando em 1917 os trabalhadores e os anarquistas lado a lado  foram obrigatoriamente levados a construir e realizar esta que foi a maior greve geral já vivenciada na classe trabalhadora.

As Centrais Sindicais, Federações e Sindicatos em geral não estão ao lados dos trabalhadores e trabalhadoras há décadas. Uma burocracia sindical que pariu uma classe de elite sindicalista se perpetua nas diretorias sindicais por interesses e benefícios pessoais. Inquéritos judiciais já dão conta de diretores de sindicatos e centrais sindicais recebendo propina para impedir ou dificultar greves. Também os sindicatos e centrais são balcões de negócios usados pelos partidos para eleger seus candidatos e logo que eleitos viram as costas para os trabalhadores.

Nossa luta agora é ir para as ruas,  cancelar as reformas trabalhista e previdenciária. Após nossa conquista partimos para mudar a organização  sindical para termos um sindicalismo livre das elites sindicais e autônomo em relação aos partidos políticos.

Saudações trabalhadoras à toda gente trabalhadora e desempregada. Vamos parar a produção, boicotar o comércio, suspender os serviços e transportes. A classe trabalhadora é a verdadeira geradora da riqueza de um povo para o povo. Greve Geral livre e autônoma até o cancelamento das reformas trabalhista e previdenciária.

 

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O 3º FGA tá chegando.

Vejam algumas conferências que acontecerão nos banners abaixo. A divulgação é livre.

 

 

  

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Manifestações na Bielorrússia e repressão: solidariedade internacional.

Republica da Belarus ou Bielorrússia é um país do leste europeu, sem saída para o mar e 23 anos debaixo da ditadura de Aleksandr Lukashenko, amigo e admirador de outro ditador, Vladimir Putin (Rússia). Ambos, oriundos do regime totalitário da União das Republicas Socialistas Sovieticas (URSS) atuam com mão de ferro e mantém práticas politicas e economicas do antigo regime em suas administrações ditatoriais. Lukashenko mantém a Bielorrússia sobre capitalismo de estado, herança da extinta URSS.

 

Com uma população de mais de 9 milhões e meio de pessoas sobre controle hegemônico, a gestão tem intensificado sua pressão sobre o povo como a lei contra o parasitismo social. Desenvolvida desde 2010, foi sancionada no fim de 2016 e visa pressionar as pessoas para o trabalho, pois considera qualquer pessoa que está mais de 6 meses sem trabalho como um parasita social e deverá pagar um imposto e multas. As pessoas desempregadas passam por processo vexatório diante de juntas do governo, onde devem explicar porque não trabalham. Isso levou a organizarem manifestações contra essa lei escrota e contra o presidente, que demonstrou publicamente que é uma pessoa autoritária. Ele e a família não podem viajar para os países do bloco econômico europeu e há um embargo para várias atividades da Bielorrússia, numa tentativa do bloco em provocar mudanças políticas naquele país, até agora sem sucesso. Continuam as perseguições, prisões e sumiços de militantes que se opõem ao governo.

 

As primeiras manifestações de rua ocorreram em 17 de fevereiro de 2017 e levaram centenas de pessoas as ruas da capital, Minsk. Houve detenções policiais após as manifestações, tendo uma expressiva participação de ativistas anarquistas formando a tática Black Bloc.

No dia 15 de março de 2017, ocorreu uma segunda manifestação, bem maior e em mais cidades do país. O governo havia proibido qualquer ato, mas ele ocorreu do mesmo modo. Dias antes, o governo, através da rede de televisão estatal havia feito pronunciamentos atacando os anarquistas como os grandes inimigos da Bielorrússia e que querem desestabilizar o governo de Lukashenko (coisa que ele está fazendo muito bem sozinho!). As pessoas anarquistas estão muito organizadas e são realmente consideradas a maior ameaça ao governo, por justamente organizarem a oposição popular e propor discussões por alterações radicais a ditadura bielorrussa.

 

As manifestações terminaram pela violência policial que prendeu centenas de pessoas, muitas que estavam apenas passando no momento das manifestações. Muitas pessoas estão desaparecidas após os confrontos ocorridos.

 

A Iniciativa Federalista Anarquista Brasil vem através desse texto solidarizar com as pessoas companheiras da Bielorrússia nesse momento de extrema repressão da qual nos remete diretamente ao que ocorreu aqui no Brasil em 2013/2014, quando nossa população foi as ruas dizer qual era sua real demanda diante de um quadro de políticos insensíveis, inescrupulosos, todos desmascarados por suas condutas inconsequentes em seguido escândalos da mais alta e desprezível corrupção.

 

Mais informações sobre a repressão na Bielorrússia:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/10/grecia-atenas-faixa-em-solidariedade-com-os-anarquistas-na-bielorrussia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/10/de-rojava-para-a-bielorrussia-solidariedade-com-os-prisioneiros-anarquistas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/04/08/bielorrussia-nikolai-dedok-foi-libertado-depois-de-10-dias-de-prisao/

https://abc-belarus.org

Pela luta contra todas as fronteiras, pela união anarquista em todo mundo!

 

Pela Iniciativa Federalista Anarquista – Brasil (IFABrasil)

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Declaração do “El Libertario”: Ultrapassar os partidos políticos para enfrentar a crise e construir uma nova Venezuela

Coletivo Editor do “El Libertario”

El Libertario” se dirige à opinião pública, nacional e internacional, com objetivo de fixar posição ante a grave conjuntura vivida na Venezuela em todos as ordens em abril de 2017.

Em uma situação de prostração nacional, o militarismo governante realizou um programa de destruição. No plano econômico a hiperinflação, recessão, desabastecimento e escassez, além da descomunal dívida externa, agravada por uma corrupção sem freios. No âmbito social o aumento da pobreza, o desemprego, a flexibilização laboral, a economia informal, assim como a estatização e fragmentação dos grêmios, sindicatos e organismos da sociedade. No plano moral o auge delitivo com sua carga de mortes e lesões, consequência da insegurança e a promoção dos pranes [líderes da prisão, que operam dentro da cadeia] como política de Estado, as “zonas de paz” e os paramilitares sob o eufemismo de “ coletivos”; e no institucional com o enterro da democracia centralizada e representativa, com o desconhecimento da Assembleia Nacional, as ordens de excarceração rechaçadas pelos corpos de segurança, a manipulação do poder judicial, a Controladoria Geral e a Defensoria do Povo; finalizando com o leilão da nação ao capitalismo global, através da fraude com as empresas corruptas, a cobrança de comissões, o uso de sobrepreços para as importações e os contratos, a entrega da plataforma deltana, as empresas energéticas mistas e as de Arco Mineiro às transnacionais de todas as bandeiras.

A cereja do bolo é a sorte de autogolpe emulando a Bordaberry e Fujimori na América Latina ou Erdogan na Turquia, por intermédio de infames sentenças da Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça desconhecendo a imunidade parlamentar e as funções legislativas e de controle da Assembleia Nacional. Claro, se deve ver mais além do valor legalista dessas falhas e entendê-los como mecanismos de manipulação política por parte de uma ditadura do século XXI, para impedir os canais de participação da sociedade e criminalizar mais ainda o protesto e a dissidência.

Logo que o governo venezuelano adulou os organismos de integração comercial regional, como Mercosul, e depois que o próprio Hugo Chávez se beneficiou, no ano 2002 da Carta Democrática da Organização de Estados Americanos, hoje, ante a pressão internacional, denunciam seus mecanismos como “ingerência”. Pelo visto, para os autoritarismos de esquerda o internacionalismo só é bom se afeta ou critica os governos de direita.

Qual será o desenlace da crise? É uma pergunta sem resposta imediata mas podemos imaginar cenários para uma aproximação. Uma primeira hipótese seria uma negociação para permitir uma transição, outorgando garantias de impunidade especialmente aos militares. Uma segunda possibilidade é que o governo continue aumentando seu autoritarismo, mediante o uso do sistema judicial, a manipulação do assistencialismo estatal (cada vez mais limitado pela escassez de recursos, a incapacidade e a corrupção) e a ameaça da repressão. Também poderia pensar-se em um desenlace fora da direção, vale dizer, a emergência de uma força alternativa que, ultrapassando os partidos do chavomadurismo e a Mesa de Unidade Democrática, canalizando a vontade popular a um novo c enário. Diferentes pesquisas falam sobre o crescimento de um setor independente, que rechaça tanto o governo como a oposição. Como anarquistas faremos todo o possível por fazer realidade esta última possibilidade.

Em síntese, estamos na presença de um labirinto, com poucas perspectivas de saída em benefício das maiorias. Nas alternativas as que estão jogando os fatores de poder, uma transação com a elite governante seria um arranjo onde se imporia a impunidade e a conservação do estabelecimento como sucedeu com Pinochet no Chile quando aceitou o referendo mas impôs umas condições terríveis que no entanto perduram no país austral. Também pode dar-se uma eternização da ditadura como o conseguiram Cuba, Kazajistão, Myanmar e Zimbábue. Ademais desta opção está a de um “Cisne Negro”, rompendo todos os esquemas mediante um acontecimento de tal contundência não previsto que vai acabar com tudo. Apostamos pela teoria de Nassim Nicholas Taleb para avançar até respostas integrais e positivas ante a imensa crise padecida pela Venezuela. Seria uma ampla mobilização de rua por iniciativa das pessoas sem permitir a manipulação dos partidos políticos (que já entregaram o único mecanismo de democracia direta presente na Constituição, o Referendo Revocatório) buscando dar-lhe o desejado golpe de timão requerido pelo país neste fatídico momento.

Caracas, 3 de abril de 2017

Fonte: http://periodicoellibertario.blogspot.com.br/2017/04/declaracion-de-el-libertario-sobrepasar.html

Tradução > Sol de Abril (ANA-Brasil)

Espanhol:

Colectivo Editor de El Libertario

El Libertario se dirige a la opinión pública, nacional e internacional, a objeto de fijar posición ante la grave coyuntura vivida en Venezuela en todos los órdenes en abril de 2017.

 

En una situación de postración nacional, el militarismo gobernante ha llevado a cabo un programa de destrucción. En el plano económico la hiperinflación, recesión, desabastecimiento y escasez aparte de la descomunal deuda externa, agravada por una corrupción sin frenos. En el ámbito social el aumento de la pobreza, el desempleo, la flexibilización laboral, la economía informal, así como la estatización y fragmentación de los gremios, sindicatos y organismos de la sociedad. En el plano moral el auge delictivo con su carga de muertes y lesiones, consecuencia de la inseguridad y la promoción de los pranes como política de Estado, las “zonas de paz” y los paramilitares bajo el eufemismo de “colectivos”; y en el institucional con el entierro de la democracia centralizada y representativa, con el desconocimiento de la Asamblea Nacional, las órdenes de excarcelación rechazadas por los cuerpos de seguridad, la manipulación del poder judicial, la Contraloría General y la Defensoría del Pueblo; finalizando con el remate de la nación al capitalismo global, a través del fraude con las empresas de maletín, el cobro de comisiones, el uso de sobreprecios para las importaciones y los contratos, la entrega de la plataforma deltana, las empresas energéticas mixtas y las de Arco Minero a las transnacionales de todas las banderas.

 

La guinda de la torta es la suerte de autogolpe emulando a Bordaberry y Fujimori en América Latina o Erdogan en Turquía, por intermedio de infames sentencias de la Sala Constitucional del Tribunal Supremo de Justicia desconociendo la inmunidad parlamentaria y las funciones legislativas y de control de la Asamblea Nacional. Por supuesto, se debe ver más allá del valor leguleyo de esos fallos y entenderlos como mecanismos de manipulación política por parte de una dictadura del siglo XXI, para impedir los canales de participación de la sociedad y criminalizar más aún la protesta y la disidencia.

Luego que el gobierno venezolano aduló a los organismos de integración comercial regional, como Mercosur, y después que el propio Hugo Chávez se benefició, en el año 2002 de la Carta Democrática de la Organización de Estados Americanos, hoy, ante la presión internacional, denuncian sus mecanismos como “injerencismo”. Por lo visto, para los autoritarismos de izquierda el internacionalismo sólo es bueno si afecta o critica a los gobiernos de derecha.

¿Cuál será el desenlace de la crisis? Es una pregunta sin respuesta inmediata pero podemos imaginar escenarios para una aproximación. Una primera hipótesis sería una negociación para permitir una transición, otorgando garantías de impunidad especialmente a los militares. Una segunda posibilidad es que el gobierno continúe aumentando su autoritarismo, mediante el uso del sistema judicial, la manipulación del asistencialismo estatal (cada vez más limitado por la escasez de recursos, la incapacidad y la corrupción) y la amenaza de la represión. También podría pensarse en un desenlace fuera del guión, vale decir, la emergencia de una fuerza alternativa que, sobrepasando a los partidos del chavomadurismo y la Mesa de Unidad Democrática, canalizando la voluntad popular a un nuevo escenario. Diferentes encuestas hablan sobre el crecimiento de un sector independiente, que rechaza tanto al gobierno como a la oposición. Como anarquistas haremos todo lo posible por hacer realidad esta última posibilidad.

En síntesis, estamos en presencia de un laberinto, con pocas perspectivas de salida en beneficio de las mayorías. En las alternativas a las que están jugando los factores de poder, una transacción con la élite gobernante sería un arreglo donde se impondría la impunidad y la conservación del establecimiento como sucedió con Pinochet en Chile cuando aceptó el referéndum pero impuso unas condiciones terribles que todavía perduran en el país austral. También puede darse una eternización de la dictadura como lo han alcanzado Cuba, Kazajistán, Myanmar y Zimbabue. Además de esta opción está la de un “Cisne Negro”, rompiendo todos los esquemas mediante un acontecimiento de tal contundencia no previsto que dé al traste con todo. Apostamos por la teoría de Nassim Nicholas Taleb para avanzar hacia respuestas integrales y positivas ante la inmensa crisis padecida por Venezuela. Sería una amplia movilización de calle por iniciativa de la gente sin permitir el manejo de los partidos políticos (que ya entregaron el único mecanismo de democracia directa presente en la Constitución, el Referéndum Revocatorio) buscando darle el deseado golpe de timón requerido por el país en este aciago momento.

Caracas, 3 de abril de 2017

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Enciclopédia Histórica do Anarquismo Espanhol disponível gratuitamente na web.

Os três volumes da Enciclopédia Histórica do Anarquismo Espanhol, de Miguel Iñiguez estão disponíveis gratuitamente para  o download na totalidade ou volume a volume.

O livro composto tem dois volumes de textos e o terceiro dedicadas à iconografia (3000 ilustrações com mil fac-símiles de jornais e 1.500 imagens de militantes). De um total de mais de 2.000 páginas, 50.000 entradas de pessoas, jornais, reuniões plenárias e convenções, organizações, eventos históricos. Cada entrada é acompanhado por uma bibliografia.

Baixo aqui os volumes em parte ou no todo: https://mega.nz/#F!8NgnECDR!_-CXx4fscr3y3s4qaAPz6w

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